Domingo é dia de descanso. Mas político e jornalista dificilmente tiram o domingo inteiro para relaxar. O político, em plena atividade, aproveita este dia para fazer visitas que não lhe foram possíveis, durante a semana. O repórter lê e pensa tudo que pode em busca de uma boa entrevista, para fechar ou começar a semana. Assim, lembrei ontem de Zé Chico, o empresário que sonha e luta para ser deputado federal. Já bateu na trave duas vezes. Ele está convicto de que, em sua terceira tentativa, concretizará este objetivo.
Então, coloquei o telefone em ação e logo consegui falar com ele, que chegava ao Aviário, periferia da cidade. Não era um passeio dominical. Aliás, aquela seria a sétima localidade visitada nas últimas horas, todas para manter contatos, conversar com lideranças, apresentar-se como candidatíssimo que é, em outubro próximo, a uma vaga no Congresso. O que me levou a esta conversa com Zé Chico foi uma outra, que tive há 10 dias, com o vice-prefeito, ex-deputado estadual Pablo Roberto.
O leitor assíduo da coluna, de boa memória, deve lembrar-se que o atual secretário de Educação do governo José Ronaldo está, igualmente, determinado a brigar por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Embora com muita discrição, não consegue esconder um certo incômodo ante a possibilidade de haver esta concorrência interna, uma vez que pertencem ao mesmo grupo. Fui saber, portanto, junto a Zé Chico, como está o seu ânimo para a peleja e, também, qual a sensação dele sobre a missão de disputar o voto com um candidato de seu próprio campo.
Não há dificuldade para observar que ambos tem preocupação comum quanto a isto. E que há vontade semelhante de alcançar Brasília. Mais: que os dois alimentam a expectativa de que José Ronaldo, prefeito e líder deles, entre em ação para socorrê-los (entenda-se convencer a um, ou a outro, de não partir para a concorrência fraticida, em que todos podem perder, com o grupo não elegendo ninguém). Um acordo entre Zé Chico e Pablo, porém, parece tão distante quanto o presidente americano Donald Trump chegar a um consenso com Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, para pôr fim à guerra.
"Acertos entre terceiros não me cabe comentar", assim reage o empresário ao ser questionado sobre um eventual acordo entre Ronaldo e Pablo, para que este desistisse da candidatura a prefeito em 2022 em troca de ser o candidato único do grupo a deputado federal. Se (os acertos) existiram, esqueceram de combinar com ele, o que lhe daria, em tese, o direito de ignorá-los.
Na verdade, Zé Chico acredita que sua candidatura a deputado federal seria irretocável e, se alguém deveria esperar por uma outra oportunidade, não seria ele. "Todos sabem, desde que se encerrou a última eleição (de prefeito), anunciei a minha disposição de concorrer este ano e comuniquei a Ronaldo". De fato, tem trabalhado muito, não apenas em Feira, mas em Salvador e em dezenas de cidades do interior.
"Um ano e dois meses (trabalhando) intensivamente. São 90 cidades, "dobrando" (fazendo a chamada dobradinha) com uns 20 candidatos a estadual. Uns 12 em Feira, uns 4 em Salvador". Citou, entre as parcerias, João de Furão, Silva Neto, Gileno, Sandro Regis, Igor Fernandes, entre outros. Na eleição municipal de 22, comandou 95 candidaturas a vereador. Vê agora importantes diferenças, em seu favor, quando comparado com as duas tentativas anteriores.
Abençoado por ACM Neto, Zé Chico fora convidado pelo ex-prefeito de Salvador para assumir em Feira de Santana o União Brasil. Ronaldo, com quem o empresário atua junto, politicamente, há quase 30 anos, é claro, consentiu a sua ascensão. Considera o cargo estratégico, de "grande visibilidade" e diz já ter inscrito 2.344 novos filiados, "pessoas que acreditam na nossa caminhada". A imagem dele também tem sido forjada com agência contratada há seis meses e uma rede social muito intensa.
O empresário não disse isto, mas apurei com algumas fontes próximas que ele considera Pablo muito bem contemplado, com o cargo de vice-prefeito e uma das mais fortes secretarias municipais. Reconhece a força do ex-deputado estadual "que tem potencial inclusive para ser um candidato a prefeito, lá na frente".