"Ronaldo não deverá ser candidato a vice-governador ou senador". Este foi o título de uma análise que escrevi e aqui publiquei no dia 5 de fevereiro, próximo ao almoço, exatamente no horário deste outro texto, que lhes entrego agora, caros leitores. Portanto, há pouco mais de um mês, dei minha opinião sobre essa polêmica, o prefeito de Feira de Santana fazer parte, ou não, de uma das chapas majoritárias dentre as mais competitivas para o próximo pleito.
Neste domingo, em entrevista ao programa de rádio "Boca de Forno", apresentado pelo bom jornalista Nivaldo Lancaster, na Sociedade News, Ronaldo, aparentemente, bateu o martelo. Primeiro, contextualizou, registrando que, sim, tem sido assediado. “Se eu falar a você que conversas para ser vice não existiram, eu estaria mentindo. Existiram e existem". Quando ele diz "existem", isto significa que continua recebendo convite, ou melhor, convites.
O verbo conjugado no plural é revelador. No meu entendimento, quer dizer que as "conversas para ser vice" partiram de mais de uma fonte, de mais de um grupo. Para ser mais direto: dos dois grupos hegemônicos, o que se encontra no poder, capitaneado pelo governador Jerônimo Rodrigues, pelo senador Jaques Wagner e pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e pelo que já esteve "mandante", hoje representado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.
A frase dita por ele agora encerra quaisquer dúvidas e põe um capítulo final nesta parte do roteiro é mais ou menos uma repetição do que Ronaldo já havia dito lá atrás: "Eu tenho a minha posição, que é bem clara, com o povo de Feira de Santana. Sempre falei que se estivesse na Prefeitura novamente, cumpriria todo o meu mandato. Então, é isso, vou cumprir meu mandato, não vou me afastar e não serei candidato a vice-governador”.
A rigor, não há nada de novo neste cenário. Próximo de assumir o Governo, em entrevista para a imprensa, ele "garantiu que fica no governo até o final", como registrou o bem informado jornalista Jair Onofre no "Bahia na Política", em 24 de dezembro de 2024. Em 22 de janeiro deste ano, o prestigioso portal Bahia Notícias, de Salvador, publicava em sua sessão "Municípios" a seguinte manchete: "José Ronaldo descarta candidatura em 2026 e reafirma compromisso de concluir mandato em Feira de Santana".
Esta informação mais recente correu o Estado em um momento peculiar, logo após o propalado encontro do prefeito com o ex-ministro e chefe do MDB baiano Geddel Vieira Lima. Vejam o que ele disse na ocasião: "No meu horário eleitoral (da campanha passada, para prefeito), eu disse que, se fosse eleito, ficaria o mandato inteiro. E eu vou cumprir". Qual dúvida restaria?
Já que estamos tratando novamente deste assunto, é preciso lembrar algo que acrescentamos, naquele artigo de fevereiro: "Resta, então, a outra decisão, mais delicada e, aparentemente, um jogo em aberto, de difícil prognóstico. Ronaldo fica com ACM Neto, aquele que menosprezou seu enorme cabedal, rifando-o, na prorrogação, da candidatura a vice na chapa oposicionista em 2022?. Deixa a campanha correr sem sua participação (o que beneficiaria Jerônimo)? Ou vai preferir marchar com a reeleição do governador, que lhe tem tratado com atenção?".
Também já me pronunciei sobre essas hipóteses. Sigo apostando que a tendência é o prefeito feirense permanecer onde está. Zero chance dele vir a apoiar Jerônimo? Não, em política tudo pode acontecer. Mas seria uma grande surpresa. Cruzar os braços, por outro lado, como igualmente registrei neste espaço, "não faz parte do repertório de José Ronaldo". O fim de março, prazo por ele estabelecido, para anunciar uma decisão, está bem próximo.
Quanto a possibilidade aventada nas redes sociais, dele indicar o seu vice e secretário de Educação, ex-secretário Pablo, para vice-governador da chapa que apoiará, a resposta é de quem não cogita tal expectativa. “Não, não. Não houve essa conversa. Muitas conversas tem acontecido, mas esta, em si, não”, afirmou, categoricamente.