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César Oliveira

Feira: descuidosa de sua beleza

08 de Dezembro de 2025 | 13h 02
Feira: descuidosa de sua beleza
Foto; Acorda Cidade

Há duas formas pelas quais o cidadão cria identidade com sua cidade: a memória e a beleza. É através delas que se estabelece a sensação de pertencimento e conexão com o espaço urbano. Ninguém ama alguém apenas por sua utilidade; o amor surge do encantamento. Nas cidades, dependemos do significado histórico — a memória — e da beleza urbana- o encantamento.

Fiódor Dostoiévski, um dos grandes nomes da literatura russa, afirmou que "a beleza salvará o mundo". A beleza urbana é mais do que uma questão estética; desempenha  papel fundamental na vida dos cidadãos. Especialistas destacam que a estética de uma cidade reflete sua história e cultura, contribuindo para a formação de uma identidade forte e coesa. Ambientes urbanos agradáveis estão diretamente relacionados à saúde mental e ao bem-estar, promovendo qualidade de vida por meio de espaços verdes e arquitetura harmoniosa. Cidades bem cuidadas atraem investimentos e aumentam a valorização dos imóveis, beneficiando a economia local.

Infelizmente, a memória de Feira de Santana foi brutalmente comprometida pelo avanço imobiliário, que resultou na falta de preservação de muitos imóveis históricos. Juraci Dórea, uma referência cultural,  registrou esse horror  em seu livro "Feira de Santana: Memórias e Remanescentes da Arquitetura Eclética". Por outro lado, das mais de 100 lagoas existentes, mais da metade foi aterrada sem que sua beleza natural fosse devidamente explorada.

O urbanismo em Feira de Santana apresenta falhas significativas que comprometem a beleza e, consequentemente, o pertencimento dos cidadãos. Entre os principais problemas estão o descuido com espaços públicos, o eterno e inconcluso projeto Centro,  sinalização extremamente precária, desordenação de passeios, entre outros. Não se pode apontar uma praça em Feira que tenha um urbanismo impactante e atraente, ainda que sejam úteis.  A desarmonia visual é um traço marcante da cidade, tornando-a pouco atraente. Os parques são escassos e inconclusos,  as avenidas mais antigas e importante carecem de modernização e embelezamento. Georgina Erismann, no hino da cidade, já sinalizava que Feira era  "descuidosa de sua beleza".

Diante desse cenário, é urgente que gestores públicos e a sociedade civil se unam para revitalizar a estética  da cidade. A beleza urbana é essencial para a criação de cidades vibrantes e acolhedoras. O descuido com a estética em Feira de Santana prejudica não apenas a imagem da cidade, mas também a qualidade de vida de seus cidadãos. Como disse Dostoiévski, a beleza pode, de fato, salvar o mundo. É hora de Feira de Santana ouvir esse chamado e transformar sua paisagem urbana em um espaço que além de útil celebre a beleza e o pertencimento. 



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