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Governo Federal cria comitê de enfrentamento da crise do metanol

07 de Outubro de 2025 | 16h 46
Governo Federal cria comitê de enfrentamento da crise do metanol
Foto: Isaac Amorim/MJSP

O Governo Federal decidiu instituir um comitê, em parceria com a sociedade civil, para enfrentar os problemas relacionados às bebidas contaminadas por metanol. O intuito é planejar tanto ações repressivas, contra quem atuou na adulteração, quanto protetivas para o setor de bebidas que, segundo Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, é de grande importância para a economia do país.

O anúncio foi feito após uma reunião entre Lewandowski e outras autoridades. Representantes do ramo também participaram. “Tivemos uma discussão bastante frutífera, e chegamos à conclusão de que seria importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol”, disse o ministro.

Segundo o gestor, este será um comitê informal para troca de informações sobre boas práticas e anúncios das providências tomadas, tanto pelo setor público quanto pelo privado, visando solucionar rapidamente o problema. “Em um país continental como o nosso, com 210 milhões de habitantes de realidades tão distintas do ponto de vista regional, o governo precisa conjugar-se com a iniciativa privada e a sociedade civil, para darmos conta dos problemas que enfrentamos”, argumentou.

Crise – Na avaliação de Lewandowski, o problema das bebidas contaminadas pode ser entendido, também, como uma “crise econômica”, uma vez que se trata de um setor reconhecido por sua importância econômica. “É um setor que gera empregos, paga impostos e é responsável pelo desenvolvimento”, observou.

O ministro resaltou, ainda, que, em função disso, a preocupação “é separar, com bastante clareza, aqueles que trabalham dentro da lei, atuando para fazer com que a economia brasileira avance, sem prejuízo de uma ação repressiva”, disse.

Ele salientou que é preciso, ainda, “uma ação repressiva, importante tanto do ponto de vista administrativo, como advertências ou sanções pecuniárias, chegando ao extremo do fechamento dos estabelecimentos”, frisou.

o joio e o trigo – Conforme o gestor, existe a preocupação de não paralisar este que, segundo ele, é um setor importante da economia nacional. “Precisamos separar o joio do trigo. Vamos atacar aqueles comerciantes que estão adulterando as bebidas de forma intencional. E vamos preservar aqueles comerciantes que estão atuando dentro da legalidade, e também os setores da indústria que estão cumprindo com seus deveres”, prometeu Lewandowski.

A reunião contou com a participação de dirigentes da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe); da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD); da Confederação Nacional da Indústria (CNI); do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP); e da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

Fiscalização – De acordo com o secretário nacional do Consumidor, Paulo Pereira, dezenas de estabelecimentos já foram notificados e estão sob análise. Estas impõem aos estabelecimentos a apresentação de todas as informações sobre a aquisição de bebidas e sobre as bebidas que aqueles possíveis pacientes vítimas de intoxicação possam ter ingerido, dados do comprador e, também, do sistema de fornecimento de bebidas.  

Conforme Pereira, até ontem (6), 15 estabelecimentos haviam sido identificados e notificados. “Hoje, temos mais uma leva de identificações. Por volta de mais 15 estabelecimentos, além de cerca de 25 distribuidoras, associações e entidades do setor que também foram notificados para prestar informação”, anunciou.

Inteligência – O secretário salientou, ainda, que vários estabelecimentos foram fechados pelas fiscalizações locais. “O trabalho, agora, é de inteligência”, acrescentou ele.

Segundo Pereira, com a chegada dessas informações, será possível entender padrões e identificar fornecedores que possam estar mais sujeitos a serem potenciais criminosos fornecedores de bebidas adulteradas. “Ninguém melhor que os distribuidores e as associações de bebidas para nos ajudar a identificar as tipologias desses fornecedores. [Para sabermos] quais são os fornecedores legalizados e quais são os Ilegais”, complementou.

Além disso, ele destacou que está mantendo contato com diversos centros de pesquisas do país, na busca por soluções, o que inclui a validação de testes rápidos. “A ideia é ver como a sociedade pode se organizar para criar mecanismos para garantir a qualidade da bebida”, explicou.

Organizações criminosas – Questionado sobre o possível envolvimento de organizações criminosas no caso, o ministro Ricardo Lewandowski disse que todas as hipóteses estão sendo investigadas, mas que, como está tudo ainda no início, seria temerário avançar em qualquer conclusão.

As suspeitas ganharam força após caminhões de combustíveis serem encontrados, após terem sido abandonados, em algumas localidades. De acordo com o ministro, as linhas de investigação podem variar até mesmo em função da origem do metanol – se ela é vegetal ou fóssil.

Emergência médica – A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. Ao ser ingerida, a substância é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte. Os principais sintomas são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).

Em caso de identificação dos sintomas, é preciso buscar, imediatamente, os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das seguintes instituições:

 

- Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;

- CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);

- Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 – de qualquer lugar do país.

 

É fundamental identificar e orientar possíveis contatos que tenham consumido a mesma bebida, recomendando que procurem, em caráter de urgência, um serviço de saúde para avaliação e tratamento adequado. A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente.

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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