No próximo domingo, primeiro de junho, vamos celebrar o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Comunicar-se, não é somente expressar por palavras, aquilo que queremos que os outros ouçam. É fazer com que os outros compreendam claramente o que lhes estamos comunicando. Mais ainda, que os destinatários da mensagem reajam, de alguma maneira, ao que lhes comunicamos.
NO QUE se refere à Comunicação Social,
algumas mídias, hoje, infelizmente, não parecem condizer com a sua verdadeira
finalidade. Com frequência, geram medo, preconceitos, rancores, fanatismo e ódio.
Usa-se a palavra como arma para enviar mensagens destinadas a exaltar ânimos,
provocar e ofender. Constatamos, também, o risco da manipulação da opinião
pública por parte da “grande mídia”. Como “desarmar” a comunicação e evitar
toda a forma de agressividade?
OUTRO FATO relevante, que é um fenômeno antigo,
mas com roupagem nova e, com diversas fontes e objetivos, chama a atenção de
todos, são as informações falsas ou distorcidas, mundialmente chamadas de Fake News. São produzidas e postas em
circulação para fins políticos, publicitários ou midiáticos.
O objetivo de difundir tais notícias é obter o máximo de “curtidas”, cliques,
visualizações e compartilhamentos. Em tudo isso, está em cheque a verdade.
NO ENTANTO, as redes sociais têm um aspecto muito
positivo. Pela sua facilidade de uso, seu alcance e abrangência possibilitam
que todos “usem da palavra”. As pessoas passam a não querer apenas “ouvir, ler
e ver” o mundo, a partir do ponto de vista da “grande mídia”, mas também
dizê-lo, mostrá-lo, produzi-lo e construí-lo por conta própria. Por isso, a
informação, hoje, não é mais privilégio de alguns porque cada pessoa pode ter
acesso a qualquer notícia, em um clicar de botões.
COMO encontrar a verdade no meio do “caos
mediático” em que vivemos? Como agir, preventivamente, para não disseminar Fake News? A resposta foi dada pelo Papa
Francisco: “As redes sociais devem ser um caminho para construir a unidade,
transmitir a verdade e incentivar a união entre pessoas, comunidades e lugares.
Não podem ser espaços de mentiras, divisões e ódio. A comunicação que favorece
a comunhão está a serviço da verdade”.
PARA NÓS, cristãos, a verdade tem nome e
rosto, é Jesus Cristo. É na unidade e comunicação com ele que encontramos a
verdade. Ou melhor, somos encontrados pela verdade. A Palavra de Deus denuncia
a gravidade das notícias falsas: “Vós sois do diabo, nele não há verdade,
quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da
mentira. A verdade vos tornará livres” (Jo8,32). E o Livro dos Provérbios
afirma: “O Senhor detesta quem profere mentiras e semeia a discórdia entre
irmãos” (Prov. 6,16).
*Dom Itamar Vian é Arcebispo Emérito de Feira de Santana ([email protected]).