Os grupos temáticos da equipe de transição governamental
liderada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin deverá entregar o primeiro
relatório até a próxima quarta-feira (30).
Segundo a CNN Brasil, o documento traçará um diagnóstico
prévio das áreas, além de esboçar propostas para a estrutura organizacional das
pastas, a partir de 2023. Integrantes da equipe informaram que os impactos
orçamentários gerados pela recriação de alguns ministérios também estão sendo delineados.
Nesse primeiro momento, alguns grupos devem entregar propostas
para a revogação de atos normativos e medidas que entraram em vigor no governo
de Jair Bolsonaro (PL). É o caso da equipe responsável pela temática dos Povos
Originários, que identificou, ao menos, cinco resoluções com forte potencial de
suspensão. A lista inclui, por exemplo, a medida que modificou os critérios
para a certificação de propriedades dentro de reservas indígenas.
Conforme a CNN, nos últimos 20 dias, os grupos temáticos analisaram
relatórios, auditorias e documentos repassados pelos atuais ministérios e por
órgãos de controle, como o Tribunal de Conta da União (TCU).
A equipe responsável pela Saúde realizou um levantamento
prévio, dando conta de que a área precisará de uma recomposição orçamentária de
R$ 22,7 bilhões. De acordo com a coordenação, os recursos devem ser utilizados
para compra de medicamentos e retomada de programas emergenciais.
No balanço elaborado pelo grupo responsável pela área da
Justiça e Segurança Pública, também ficou evidente a falta de verbas para
fechar a conta do setor ainda este ano. De acordo com senador eleito Flávio
Dino, que coordena os trabalhos desta área, será necessário aumentar, em R$ 500
milhões, o tamanho da verba prevista para a pasta, a partir do ano que vem.
A escassez de verbas vem se configurando como um problema para
o novo governo, especialmente no que diz respeito ao cumprimento das promessas
de campanha feitas pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). É o
caso da recriação de órgãos acoplados ou que deixaram de existir durante a
gestão de Bolsonaro. Em função disso, o grupo comandado por Dino atua buscando um
consenso sobre a recriação de uma pasta específica para a Segurança Pública.
A equipe de transição, entretanto, já dá como certa a volta
das pastas do Desenvolvimento Agrário, da Fazenda e do Planejamento. No caso dos
extintos ministérios da Cultura e do Esporte, ambos incorporados, durante o
governo Bolsonaro, ao Ministério da Cidadania, e do Ministério da Mulher, igualmente
acoplado à pasta da Família e dos Direitos Humanos, ainda será preciso buscar espaço
no orçamento para que voltem ao organograma da Esplanada.
Ainda de acordo com a CNN Brasil, o relatório final da equipe
de transição deve ser entregue no dia 11 de dezembro. O documento também será repassado
aos futuros ministros do governo Lula.