Após vir a público uma conversa de Milton Ribeiro, na qual contou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lhe telefonou para dizer que teve um "pressentimento" de que o ex-ministro da Educação poderia ser alvo de busca e apreensão, a bancada do PT no Senado recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o caso.
O partido apresentou uma notícia-crime contra o mandatário nesta segunda-feira (27), denunciando indício de interferência em operação da Polícia Federal que prendeu Ribeiro e os pastores lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos, acusados de operar esquema de corrupção no Ministério da Educação.
A possível conduta ilegal apontada se deu após a divulgação de uma interceptação telefônica feita pela PF de uma conversa entre o ex-ministro e a filha. Na ligação ocorrida 13 dias antes da prisão, ele contou que o presidente lhe alertou sobre o "pressentimento". O telefonema foi encerrado após a filha avisar ao pai que estava falando em seu "celular normal".
Na representação, os senadores do PT argumentam que a comunicação entre Bolsonaro e Milton Ribeiro não se tratou de "pressentimento". "As possíveis inocorrências processuais alertadas ao ex-ministro vieram a se concretizar através dos atos de prisão e busca e apreensão", diz o documento enviado ao STF.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES), que é ex-delegado de polícia, observou que qualquer tentativa de prevenir um investigado ou réu compromete a lisura do processo. "O sigilo em operações de busca e apreensão evita a destruição de provas", afirmou.
Caso sejam confirmadas as suspeitas apontadas pela bancada do PT, Bolsonaro pode responder pelos crimes de violação de sigilo processual e obstrução da Justiça.
CPI DO MEC
Com a divulgação do telefonema e a suspeita de interferência do presidente, ganharam corpo as tratativas para a instalação da CPI do MEC, que foi protocolada há pouco no Senado.
FONTE: Bahia.ba