"Quando venta forte, não durmo, fico com medo que a casa desabe", contou a moradora de Feira de Santana, Balbina Maria de Jesus, 72, cuja casa tem rachaduras nas paredes e piso. O motivo, segundo ela, foi uma obra da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa).
A empresa usou explosivos para abrir pontos para a tubulação passar. Na rua João Batista, no bairro Aviário, cerca de 15 moradores vivem o mesmo problema.
Na casa de Balbina, a varanda ameaça cair e as paredes apresentam rachaduras de quase três centímetros. No interior, rachaduras comprometem uma parede que está solta
Ela lembrou que antes de a obra começar, alguns trabalhadores estiveram no imóvel e alertaram que era necessário que os moradores saíssem das casas antes das explosões.
Um poste subiu cerca de 20 cm do solo, com o impacto, e ameaça cair sobre duas casas. Ele está escorado com pedaços de madeira colocados pelos moradores.
O imóvel de Zenaide Moreira, construído há dois anos, está comprometido. Há rachaduras nas paredes e piso. Na casa moram três pessoas, incluindo uma criança de 3 anos.
Segundo moradores, as obras tiveram início em setembro, mas funcionários da empresa só teriam aparecido para ver os problemas em novembro, após inúmeros telefonemas e denúncias em rádios locais.
Empresa
A Embasa informou, por meio da assessoria de comunicação, que vai continuar a negociação com os moradores que ainda não fecharam acordo com a empresa.
O texto diz ainda que o acordo prevê indenização por avarias em 12 imóveis, causadas por detonações com explosivos para abertura de valas objetivando implantação de rede coletora de esgoto no local.
"O engenheiro passou uma semana vindo aqui nas casas e analisando. Viu que realmente é comprometedor o problema. Em janeiro, nos chamou na Embasa e nos ofereceu dinheiro para consertar a casa, só que os valores estão abaixo do que realmente iremos gastar", disse Thailane Vitória, neta de Balbina de Jesus.
Segundo ela, os valores oferecidos pela empresa não ultrapassariam R$ 3,5 mil, que foi o oferecido para a avó dela, e que poucos moradores teriam aceitado. Mas, mesmo assim, até o momento não teriam recebido nada.
Moradores ouvidos por A TARDE disseram que, caso a Embasa não dê uma resposta concreta até a próxima semana, eles vão entrar com uma denúncia no Ministério Público.
"O que não pode é ficarmos com este problema sem ninguém resolver. Não fomos nós, os moradores, que o causamos", lembrou Thailane Vitória.
Sobre os valores oferecidos, a Embasa alega que foram calculados com base em análise técnica dos danos e orçamentos feitos por comissão da empresa.