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Política

Bolsonaro reafirma negativa de apoio humanitário da Argentina para vítimas das chuvas na Bahia: ‘não há opção’

31 de Dezembro de 2021 | 10h 43
Bolsonaro reafirma negativa de apoio humanitário da Argentina para vítimas das chuvas na Bahia: ‘não há opção’
Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse, na noite desta quinta-feira (30), durante transmissão ao vivo via redes sociais, que não "não existe" a opção de o estado da Bahia receber apoio humanitário recusado pelo Governo Federal.

A declaração, segundo o G1, veio após o governador Rui Costa dizer que aceitará a ajuda humanitária, oferecida pela Argentina, para socorrer as vítimas das chuvas. "O ministro França estava ligando para mim. Ele acabou de falar com o chanceler da Argentina, e ele garantiu que qualquer ajuda será prestada via Governo Federal", disse Bolsonaro, referindo-se ao ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto França.

O presidente afirmou que toda ajuda é bem-vinda, mas questionou a oferta de auxílio do governo argentino. "Toda ajuda é bem-vinda, jamais abriremos mão de ajuda, mas que ajuda é essa? A ajuda foi o oferecimento de dez homens conhecidos como Capacetes Brancos. Quais ações eles fariam? Almoxarife, separar material, donativos, ajudar a distribuir água e alimentos. Basicamente isso daí. Ter um local específico para colocar 10 pessoas fica caro para a gente. E temos gente suficiente", alegou Bolsonaro.

Ele negou que a recusa seja motivada por ideologia política e disse estar aberto a receber outros tipos de donativos, como os oferecidos, por exemplo, pelo Japão. "Nós fomos educados, mas seria um grupo que daria trabalho para a gente, porque temos que tratar com todo carinho. Agradeço ao governo da Argentina, mas, pelas informações que tive, as águas começam a baixar na Bahia", tentou justificar.

O IMPASSE - A Argentina se comprometeu a enviar, em caráter imediato, dez profissionais especializados nas áreas de água, saneamento, logística e apoio psicossocial para vítimas de desastres. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no entanto, recusou o pedido de autorização para a missão estrangeira, que foi feito pelo governador da Bahia, Rui Costa. A situação na região é extremamente crítica. O próprio chefe do Executivo baiano está no sul do estado, coordenando a força-tarefa que trabalha no resgate e realocação das vítimas, bem como na distribuição dos donativos.

O portal de notícias G1, que teve acesso exclusivo ao documento do Ministério das Relações Exteriores enviado à embaixada da Argentina, reportou que o Brasil dispensou a ajuda oferecida, alegando que recursos pessoal e financeiro são suficientes e que o Brasil está disponibilizando uma reserva de R$ 200 milhões para enfrentar a emergência.

Ontem (30), Jair Bolsonaro comentou a negativa. "O fraterno oferecimento argentino, porém muito caro para o Brasil, ocorre quando as Forças Armadas, em coordenação com a Defesa Civil, já estavam prestando aquele tipo de assistência à população afetada, inclusive com o apoio de três helicópteros da Marinha e Exército", afirmou.

Para Bolsonaro, o apoio argentino é desnecessário, mesmo diante de um quadro humanitário grave, em que 643 mil pessoas foram afetadas, de alguma forma, pelos temporais que assolam a região desde o final de novembro. "A avaliação foi de que a ajuda argentina não seria necessária naquele momento, mas poderá ser acionada, oportunamente, em caso de agravamento das condições. A resposta do Ministério das Relações Exteriores à Embaixada Argentina é clara a esse respeito", disse o presidente, que está de férias, na região Sul do país.

DESABRIGADOS E MORTOS - Conforme a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), ao todo, 151 cidades baianas estão em situação de emergência e 91.806 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Até o momento, 25 pessoas morreram em decorrência dos desastres desencadeados pelas chuvas. O número de feridos também aumentou, de 434 para 517.



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