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Política

Ciro Gomes diz que ordem judicial contra ele é abusiva

15 de Dezembro de 2021 | 11h 39
Ciro Gomes diz que ordem judicial contra ele é abusiva
Foto: Reprodução

Após a Polícia Federal deflagrar operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência, Ciro Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT, usou suas redes sociais para se defender. Ele afirmou que a ordem judicial expedida em função de supostas irregularidades na construção da Arena Castelão, em Fortaleza, é "abusiva".

Na manhã de hoje, a corporação colocou nas ruas 80 agentes para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, em diversos endereços das cidades de Fortaleza (CE), Meruoca (CE), Juazeiro do Norte (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA). As buscas têm por objetivo arrestar mídias digitais, aparelhos celulares e documentos relacionados às denuncias de corrupção.

Dentre os investigados, também está o ex-governador do Ceará, agora senador, Cid Gomes, irmão de Ciro. Segundo a PF, as irregularidades ocorreram durante a gestão dele. O inquérito apura fraudes, exigências e pagamentos de propinas a agentes políticos e servidores públicos decorrentes de procedimento de licitação para obras no estádio, entre os anos de 2010 e 2013.

A Operação Colosseum - referência ao Coliseu, anfiteatro da era romana construído no ano 27 a.C - aponta indícios de um pagamentos global de R$ 11 milhões em propinas, diretamente em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.

LICITAÇÕES FRAUDULENTAS - As investigações, diz a Polícia Federal, começaram em 2017, quando foram identificados vestígios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa vencesse a licitação das obras do Castelão para a Copa do Mundo de 2014.

De acordo com o inquérito, na fase de execução do contrato, a empresa receberia valores devidos pelo Governo do Estado do Ceará. "As investigações continuam com análise do material apreendido na operação policial e do fluxo financeiro dos suspeitos", disse a PF, por meio de nota, salientando que os implicados "poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva".

DEFESA - Até o momento, Cid Gomes não se pronunciou. Ciro, por sua vez, disse que não tem qualquer ligação com os fatos e que, em 40 anos de vida pública, jamais foi acusado ou processado por corrupção. "Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionados com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores. O que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que NUNCA me encontrou", observou.

O presidenciável também alegou que está sendo vítima de perseguição política. "Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um pais democrático. Mas depois da Polícia Federal subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo a minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade", apontou.

Ciro Gomes disse, ainda, que todo o processo que envolveu a construção do Castelão foi transparente. "Chega a ser pitoresco. O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo. Mas não é isso. E sejamos claros. Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados", frisou.

O pré-candidato finalizou sua fala ressaltando que usará todos os mecanismos legais para processar os seus, segundo ele, detratores. "Nunca me senti um cidadão acima da lei, mas não posso aceitar passivamente ser tratado como um subcidadão abaixo da lei. Sou um homem do embate, do combate e do Direito. Essa história não ficará assim. Vou até as últimas consequências legais para processar aqueles que tentam me atacar. Meus inimigos nunca me intimidaram e nunca me intimidarão. NINGUÉM VAI CALAR A MINHA VOZ", advertiu.

 

Leia a íntegra da postagem de Ciro GOMES:

"Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas imperfeições, em um pais democrático. Mas depois da Polícia Federal subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo a minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade.

O pretexto era de recolher supostas provas de um suposto esquema de favorecimento a uma empresa na licitação das obras do Estádio do Castelão para a Copa do Mundo de 2014. Chega a ser pitoresco. O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo. Mas não é isso. E sejamos claros. Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionados com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores. O que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que NUNCA me encontrou.

Tenho 40 anos de vida pública e nunca fui acusado nem processado por corrupção. Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pré-candidatura à Presidência da República. Da mesma forma tentaram 15 dias antes do primeiro turno da eleição de 2018. O braço do estado policialesco de Bolsonaro, que trata opositores como inimigos a serem destruídos fisicamente, levanta-se novamente contra mim. Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar me intimidar e deter as denúncias que faço todo dia contra esse governo que está dilapidando nosso patrimônio público com esquemas de corrupção de escala inédita.

Nunca me senti um cidadão acima da lei, mas não posso aceitar passivamente ser tratado como um subcidadão abaixo da lei. Sou um homem do embate, do combate e do Direito. Essa história não ficará assim. Vou até as últimas consequências legais para processar aqueles que tentam me atacar. Meus inimigos nunca me intimidaram e nunca me intimidarão. NINGUÉM VAI CALAR A MINHA VOZ".



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