Por unanimidade, o Senado Federal aprovou, nesta quinta-feira
(18), o Projeto de Lei (PL) que tipifica injúria racial como crime de racismo.
A proposta, que, agora, segue para avaliação na Câmara de Deputados, prevê multa
e pena de prisão variável entre dois e cinco anos.
De acordo com a Agência Brasil, a medida foi acatada pelos
senadores durante sessão destinada à análise de propostas de enfrentamento ao
racismo e de valorização da cultura negra. A reunião plenária foi realizada em
homenagem ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, também Dia
de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, no século 17.
A aprovação da matéria ocorreu após o Supremo Tribunal
Federal (STF) decidir, em outubro, que o crime de injúria racial não prescreve.
Na ocasião, a Suprema Corte entendeu que casos de injúria podem ser enquadrados,
criminalmente, como racismo, conduta considerada imprescritível pela
Constituição Federal.
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do PL, argumentou que,
embora definida em lei, a injúria racial não estaria plenamente equiparada aos
crimes raciais definidos no Código Penal. Em função disso, ressaltou a
importância da votação do projeto no enfrentamento ao racismo. "A população
brasileira é composta por 56,2% de pretos e pardos, ou seja, 120 milhões de
brasileiros. A grande maioria é pobre, todos nós sabemos. O racismo estrutural
é uma realidade. Está no olhar, nos gestos, nas palavras, na violência, no ódio",
enfatizou.
Cais
do Valongo - Ainda segundo
a Agência Brasil, os senadores aprovaram, em votação simbólica, o
reconhecimento do sítio arqueológico Cais do Valongo, localizado na região
portuária do Rio de Janeiro, como Patrimônio da História e Cultura
Afro-Brasileira e essencial à formação da identidade nacional. O projeto também
segue para análise da Câmara dos Deputados.
O objetivo é estabelecer diretrizes para a proteção especial
do Cais do Valongo, em decorrência do título de Patrimônio Mundial da
Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco). O projeto prioriza ações de preservação da
memória e de promoção da igualdade racial como meio de reparação à população
afrodescendente.
O relator da matéria, senador Carlos Portinho (PL-RJ), salientou
que o Cais do Valongo foi o principal porto de entrada de africanos
escravizados na América Latina, tornando-se ponto de encontro da comunidade
negra no Rio de Janeiro, então capital do país. Em cerca de 40 anos, quase 1
milhão de africanos escravizados passaram pelo local, o que o tornou o maior
porto receptor de escravos do mundo. "A importância do local é tamanha que o
sítio arqueológico do Cais do Valongo passou a integrar a lista do Patrimônico
Histórico da Humanidade da Unesco, em 1º de março de 2017", justificou.
Carlos Portinho destacou, ainda, que ponto histórico tem
"valor universal excepcional, como memória da violência contra a humanidade,
representada pela escravidão, e de resistência, liberdade e herança,
fortalecendo as responsabilidades históricas, não só do Estado brasileiro, mas
de todos os países-membros da Unesco".
Selo
Zumbi dos Palmares - Os
senadores também aprovaram a criação do Selo Zumbi dos Palmares, concedido aos
municípios que adotarem políticas de combate ao racismo. A matéria vai à
promulgação. A concessão do título será anual. "Nunca é demais lembrar que Palmares
resistiu durante mais de 100 anos, consolidando-se como espaço de luta do povo
negro. Muitos foram os ataques e as violências sofridas por aqueles que somente
queriam viver bem. O local físico permanece, bem como sua ideia", lembrou a senadora
Eliziane Gama (Cidadania-MA), relatora da matéria.