Feira de Santana amanheceu, uma
vez mais, parcialmente sem transporte coletivo. Nas primeiras horas da manhã
desta quarta-feira (27), trabalhadores rurais impediram a saída dos ônibus da
garagem da Rosa. Os manifestantes protestavam contra a decisão da empresa de
retirar os veículos que operavam quatro linhas da zona rural.
Em entrevista ao Acorda Cidade, a
moradora conhecida como Sônia da Lagoa Grande disse que as comunidades afetadas
não podem prescindir do transporte coletivo. "Nós queremos os ônibus rodando nos povoados.
Nós estamos sem transporte. É inviável só as vans rodarem nos distritos, não
tem como, porque existem idosos, pessoas com deficiência que dependem dos
ônibus e pessoas que precisam do ônibus para ir ao trabalho. O transporte é um
direito nosso", afirmou, salientando que o grupo, de aproximadamente 200
pessoas, estava disposto a estender o protesto, caso a reivindicação não fosse
atendida.
É a segunda vez, esta semana, que
os usuários do setor ficam sem ônibus, na cidade. Na última segunda-feira, ocorreu
fato similar, porém com os ônibus da empresa São João, por decisão dos
trabalhadores da empresa, que estavam com os salários atrasados. Motoristas e
cobradores só retomaram as atividades após o pagamento da quinzena
correspondente.
A Prefeitura de Feira de Santana disse que solicitou à Procuradoria-Geral
do Município (PGM) a adoção de providências judiciais, a fim de restabelecer a
normalidade da operação do transporte urbano e garantir o interesse coletivo.
O Governo Municipal entende a manifestação de hoje como um ato
de caráter político-partidário. Isto porque, segundo nota emitida na manhã de
hoje, o organizador do protesto, Ubiratan Fonseca de Jesus, foi nomeado para o
cargo de agente parlamentar no gabinete do vereador Silvio Dias, conforme edição
951 do Diário Oficial do Poder Legislativo, publicada no dia 11 de junho de 2021.
A Prefeitura enfatizou, ainda, que a manifestação compromete 109
linhas de transporte que atendem a população feirense. E destacou que "apenas
quatro" delas, que atendem as comunidades rurais, estão, emergencialmente, sendo
substituídas pelo Sistema de Transporte Público Alternativo e Complementar (STPAC).
O governo salientou tanto a frota de ônibus da concessionária
Rosa quanto motoristas e cobradores estão preparados para iniciarem a operação,
assim que os manifestantes desobstruírem o local. "A Guarda Municipal foi
acionada para manter a ordem e preservar a segurança de operadores do Sistema
Integrado de Transporte (SIT)", diz o documento.
Para o Governo Municipal, o ato prejudica a população que
utiliza o serviço essencial para se deslocar até o trabalho e locais de
vacinação. Fiscais da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT)
orientam usuários, nos terminais de transbordo (Norte e Central), afetados com
a falta do transporte coletivo.