O MDB e PT baianos mantêm diálogo desde a eleição de 2018. A
informação partiu do senador Jaques Wagner (PT), provável postulante do partido
a um novo mandato para comandar o Governo da Bahia. De acordo com o portal de
notícias BNews, durante o encontro do diretório do PT, no último sábado (15), o
parlamentar assumiu que tem interesse de que a legenda, hoje na oposição, se
junte à base petista para as eleições de 2022.
Nesta segunda-feira (18), Wagner destacou, em entrevista ao
jornal Tribuna da Bahia, que, no contexto de uma disputa eleitoral, criar
inimigos não é favorável à vitória. "Ninguém
ganha na eleição criando adversário, inimigo. Eu acho que se ganha na política
trazendo aliados, sem perder a sua coluna vertebral", frisou.
O ex-governador baiano afirmou, também, encarar com naturalidade
as movimentações políticas e os indícios de aproximação com o MDB. Segundo Wagner,
essa é, inclusive, uma tendência nacional.
Ao ser questionado sobre o apoio dado pelo MDB ao impeachment
da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, ele foi pragmático. Para Jaques Wagner, buscar apoio entre os que
votaram a favor e os que votaram contra não é uma postura favorável. "O impeachment ganhou, significa que a ampla
maioria votou. Óbvio que tenho críticas ao MDB, pela postura que teve, assim
como tenho críticas ao PSDB, ao DEM, porque todos trabalharam. A crise da
democracia que nós estamos vivendo começou lá e, hoje, ninguém bate no peito
para fazer mea-culpa", observou.
O ex-governador reforçou que o processo que destituiu Dilma
foi "uma farsa". Na sua avaliação, o impeachment não teve causa nem se deu em
função de cometimento de qualquer crime.
O petista aproveitou a oportunidade, ainda, para alfinetar o
ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, atual presidente nacional do DEM. O político
deve seu adversário nas eleições do ano que vem. "Foi uma conversa para
respeitar vários prefeitos, que queriam nos acompanhar, mas tinham compromisso
com deputado federal do MDB. E eu, no meu estilo (e também o governador), não
vou perseguir ninguém nem ter prazer em esmagar as pessoas. Eu não trabalho
assim", ressaltou, ao explicar que o diálogo com os adversários nem sempre tem
o propósito ou chegam a uma aliança.
Wagner salientou, ainda, que seu objetivo não é destruir seus
antagonistas, como, segundo ele, faz "o outro lado", dando a entender que, no grupo
de ACM Neto, é assim. "Trabalho na construção de hegemonia, e não na destruição
de adversários. Essa linha da destruição é a do outro lado, dos 16 anos antes
da gente: ‘para meus amigos, tudo, para os adversários, nem a lei’", frisou.
Para o ex-governador, foi o PT quem modernizou o Estado. Ele
disse, ainda, que, nesse sentido, a candidatura de Neto representa "o passado".
De acordo com o BNews, a troca de farpas, característico do clima de eleição,
tem sido uma constante entre o petista e o democrata. Recentemente, ACM Neto
afirmou que parte da culpa pela atual situação da segurança pública na Bahia é
de Jaques Wagner, que comandou o Estado entre 2007 e 2015.
O ex-governador, diz o Bnews, também observou que a relação
com o MDB se mantém pela postura, segundo ele respeitosa, que o PT mantém com a
legenda e com outros partidos. "Qual o partido que cresce ao lado dele? Nenhum.
No nosso grupo, todo mundo cresce. Por isso o grupo se mantém. Então, não
tivemos nenhuma postura de esmagar quem já estava bastante debilitado, que era
o MDB, em 2018. Isso, portanto, criou a relação que nós tivemos. Agora, a gente
conversa, mas não tem nada decidido. Eles estão na base do atual prefeito, ou
seja, do grupo de lá", arrematou.