O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou que o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e alvo
do inquérito das milícias digitais, por disparo de notícias falsas e ataques em
favor do presidente Jair Bolsonaro, volte à prisão imediatamente após receber
alta do Hospital Samaritano Barra, onde o político segue internado, mesmo após
ser liberado pela equipe médica, no último dia 5.
De acordo com o Estadão, o novo mandado foi expedido nesta
quarta-feira (13), após a unidade hospitalar questionar a Polícia Federal (PF) acerca
dos procedimentos para a transferência do preso. Alexandre de Moraes optou,
então, por manter a prisão preventiva de Roberto Jefferson. Com isso, o
político deverá retornar à penitenciária de Bangu, onde estava custodiado antes
de iniciar tratamento médico.
O magistrado determinou que o hospital envie, imediatamente,
ao STF, a documentação referente à alta, registrando que o presidente do PTB
deverá ser escoltado para o cárcere pela PF, com a devida retirada da
tornozeleira eletrônica.
Coforme o Estadão, no despacho, Moraes apontou que o "quadro
fático" descrito na decisão que manteve a preventiva de Jefferson permanecia o
mesmo, "não havendo razões, neste momento processual, a indicar a possibilidade
de revogação da prisão preventiva, ainda que mediante imposição de medidas
cautelares diversas".
Intimada a se manifestar, a defesa do político argumentou que
a situação de seu cliente continuava "instável", apesar de o mesmo estar apto a
receber alta médico-hospitalar. Os advogados reforçaram, ainda, o pedido de substituição
da prisão preventiva pela domiciliar.
Roberto Jefferson foi transferido ao hospital samaritano após
decisão dada por Alexandre de Moraes, no início de setembro. Na ocasião, o
magistrado considerou as alegações da defesa sobre o quadro de saúde do
político. Também o parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e
um relatório médico da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de
Janeiro.
O documento, diz o Estadão, indicou que o presidente do PTB
apresentava um "quadro de infecção urinária, além de reclamar de dores na
lombar" e que havia "insuficiência, por ora, do tratamento médico recebido no
hospital penitenciário".
Apesar de autorizar o tratamento médico do preso, Alexandre de
Moraes manteve a preventiva, por considerar a medida "necessária e
imprescindível à garantia da ordem pública e à instrução criminal". O
magistrado ponderou que, mesmo após o ex-deputado ser preso, "continuou a
praticar condutas criminosas, inclusive, continuando a incitar a população para
que pratique crimes contras os Poderes da República, incitando graves agressões
a senadores e a Ministros do STF, notadamente nos atos previstos para o 7 de
Setembro".