Para a oposição, PEC implicará na deterioração do serviço público
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta
quinta-feira (23), o relatório de autoria do deputado Arthur Maia (DEM-BA) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/20,
que versa sobra a reforma administrativa. Foram 28 votos favoráveis e 18
contrários. O texto retoma vários pontos da PEC encaminhada, em setembro do ano passado, pelo governo, ao Congresso
Nacional.
De acordo com a Agência Brasil, entre os pontos retomados
pelos parlamentares está a redução em até 25% de salários e jornada de
servidores públicos e a previsão da União, estados e municípios firmarem
contrato com órgãos e entidades, públicos e privados, para a execução de
serviços públicos. O texto também retoma a previsão de contratação temporária
de servidores pelo período de até 10 anos. A versão anterior do relatório
previa um período máximo de seis anos.
Conforme o parecer de Arthur Maia, estão proibidos o aumento
de remuneração ou de parcelas indenizatórias com efeitos retroativos; as férias
em período superior a 30 dias pelo período aquisitivo de um ano; e a
aposentadoria compulsória como modalidade de punição. O relatório também
determina que "é nula a concessão de estabilidade no emprego ou de proteção
contra a despedida para empregados de empresas públicas, sociedades de economia
mista e das subsidiárias dessas empresas e sociedades por meio de negociação,
coletiva ou individual".
O texto da reforma retira, ainda, a competência do Poder Legislativo
para dispor sobre a criação e extinção de ministérios e órgãos da administração
pública. O parecer também trouxe modificações nos critérios para a abertura de
processos administrativos para a perda de cargo de servidor. A proposta
facilita o trâmite, prevendo que o servidor será processado depois de duas
avaliações insatisfatórias consecutivas ou três intercaladas, no período de
cinco anos. O relatório anterior, diz a Agência Brasil, instaurava os processos
depois de três avaliações ruins consecutivas ou cinco intercaladas.
Críticas
- O parecer aprovado
recebeu críticas da oposição. O principal argumento é que o novo relatório foi
apresentado sem tempo hábil para análise e que retomou pontos já superados. Na
última quarta-feira (22), parlamentares do PT, PCdoB, PSOL, PDT, Rede, PSB,
Solidariedade e PV anunciaram que os partidos fecharam questão contra a
proposta.
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que a PEC prejudica
não só os servidores, mas, principalmente, a população mais carente, que
necessita da prestação de um serviço público de qualidade. "Se você faz alguma
mudança no serviço público, é para melhorar a qualidade, melhorar o atendimento
público, e para garantir direito dos trabalhadores, não o contrário. O que
assistimos, de ontem para hoje, é incrível, porque é um relatório da
retaliação", enfatizou.
O deputado Gervásio Maia (PSB-PB) entende que o texto
apresentado enfraquece o Estado, promovendo uma desvalorização das carreiras
que exercem os serviços públicos. O parlamentar citou a volta do artigo 37-A,
que prevê que a União, estados e municípios possam fazer contratos com a
iniciativa privada para a prestação de serviços públicos.
Ele acredita que PEC abre um precedente para a deterioração e
privatização do serviço público. "É a abertura de porteira para a destruição do
serviço público. A partir da votação da PEC, por esse texto, todos poderão ser
contratados temporariamente ou por meio da privatização com organizações
sociais. Estão abrindo a porteira para a consolidação da privatização do
serviço público. Um prefeito que não teve apoio dos servidores públicos da
educação, esse prefeito vai poder afastar os servidores e fazer acordo com a
iniciativa privada", poderou.
Elogios
- Conforme a Agência
Brasil, a opinião do vice-líder do governo na Câmara, Evair Vieira de Melo
(PP-ES), é totalmente oposta. Para ele, a PEC é digna de elogios. O parlamentar
disse que o governo não atuou para pressionar pelas mudanças no texto. "O
governo, em momento algum, operou com a máquina pública para que tivesse algum
direcionamento do nosso relator", frisou.
Deputados favoráveis à reforma também defenderam o texto, argumentando
de que a iniciativa vai proporcionar avaliação de desempenho dos servidores e a
melhoria dos serviços. Marcel Van Hatten (Novo-RS), por exemplo, disse que a
proposta fortalece o Estado. "Nosso reiterado compromisso com uma reforma
administrativa que valorize o Estado e faça uma avaliação de desempeno
criteriosa para aqueles que, como existe em qualquer profissão, não desempenham
suas tarefas possam ser desligados", alegou.
A comissão, agora, analisa os destaques ao texto substitutivo.