A justiça também emitiu um mandado de condução coercitiva de um investigado que estaria em Salvador.
Policiais federais apreenderam malotes na sede da GDK, na Rua da Grécia, no Comércio, nesta quinta-feira, 5, em Salvador. Os agentes passaram toda a manhã no local acompanhados de servidores da Receita Federal e saíram do prédio levando mais de dez malotes com documentos. Esse foi um dos dois mandados de busca e apreensão cumprido na capital baiana durante a operação Lava Jato. O outro foi realizado no condomínio Porto Trapiche, também no Comércio.
A justiça também emitiu um mandado de condução coercitiva de um investigado que estaria em Salvador. Mas ele não foi localizado na capital baiana e acabou se apresentando no Rio de Janeiro, de acordo com a Polícia Federal, que deflagrou, nesta quinta-feira, a nona fase da ação Lava Jato, que foi denominada "My Way".
Até às 13h48, a assessoria da PF não divulgou o nome deste investigado que se apresentou no Rio de Janeiro. Durante entrevista coletiva nesta manhã, o delegado Igor Romário de Paulo disse que ele seria um dos 11 operadores alvos da ação desta quinta que teriam participação no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a diretoria de serviços da Petrobras.
Segundo a assessoria da PF, ele não teria ligação com a GDK, e sim, com outra empresa. A Polícia Federal não informou qual o envolvimento da GDK na operação Lava Jato.
Outros estados
Além da Bahia, a ação é realizada em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em São Paulo, o tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi levado para a sede da Polícia Federal, nesta manhã, durante a ação da PF. De acordo com o procurador Carlos Fernando, ele foi conduzido para prestar esclarecimentos sobre denúncias de que ele teria solicitado "doações legais e ilegais para pessoas com contrato com a Petrobras". O procurador disse que não é possível informar o destino desse dinheiro.
Lavagem de dinheiro
O delegado Igor Romário, que concedeu entrevista na sede da PF em Curitiba na manhã desta quinta, explicou que os operadores eram responsáveis por intermediar o pagamento de propina por parte das empresas com contratos com a Petrobras para os agentes públicos. Eles tinham atuação semelhante a do doleiro Alberto Youssef, mas em escala menor.
Segundo o delegado, 26 empresas são investigadas nessa fase da operação, sendo que uma delas, com sede em Santa Catarina, não tinha envolvimento com o esquema de corrupção, mas sua sede era utilizada para guardar documentos de outra empresa com participação na lavagem de dinheiro.
"A maioria das empresas é de fachada, serviam para expedir nota para justificar serviços que não eram realizados", explicou o delegado, acrescentando que também há uma empresa de construção de tanque e com contrato com a BR Distribuidora, que ao mesmo tempo realizava ações lícitas e ilícitas.
Santa Catarina
Um dos principais foco dessa fase da operação foi a coleta de provas contra esse novo núcleo de operadores da lavagem de dinheiro, de acordo com o procurador regional Carlos Fernando. Mas a ação também atuou buscando informações sobre um esquema envolvendo uma empresa de Santa Catarina com contrato com a BR Distribuidora.
Um sócio e um diretor desta empresa, que não tiveram os nomes revelados, foram presos. Outro sócio, que teve mandado de prisão expedida, está em viagem aos Estados Unidos. A PF aguarda o seu retorno ainda nesta quinta para ser conduzido ao órgão. De acordo com o delegado, por enquanto ele não é considerado foragido.
Os policiais federais também não localizaram uma pessoa que tinha mandado de prisão preventiva expedidas no Rio de Janeiro.
GDK
Além dos inúmeros contratos que tem com a Petrobras, a GDK ficou conhecida em 2009 durante a CPI dos Correios após a revelação de que a empresa havia presenteado o então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, com um carro Land Rover. O carro foi devolvido e Pereira deixou o posto no PT.
FONTE: A Tarde