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Política

Bolsonaro dá entrada no HFA para investigar causa dos soluços; reunião com Poderes foi cancelada

14 de Julho de 2021 | 10h 22
Bolsonaro dá entrada no HFA para investigar causa dos soluços; reunião com Poderes foi cancelada
Foto: Evaristo Sá/AFP

O presidente Jair Bolsonaro está sendo submetido a uma série de exames, na manhã desta quarta-feira (14), no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. A assessoria de imprensa do Planalto divulgou uma nota oficial confirmando que o chefe do Executivo Nacional deu entrada na unidade de saúde com a finalidade de investigar a causa da crise persistente de soluços

Segundo o documento, por orientação médica, o presidente ficará em observação pelo período de 24 a 48 horas, não necessariamente no hospital. A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo afirmou, ainda, que Bolsonaro "está animado e passa bem".

Há mais de uma semana, Jair Bolsonaro vem reclamando de soluços. Segundo o G1, o próprio presidente alegou que a crise pode ter sido provocada por medicamentos que precisou tomar, por causa de uma cirurgia de implante dentário. "Estou há uma semana com soluço, talvez não consiga me expressar bem nessa live", afirmou, na última quinta-feira (8).

Nesta segunda-feira (12), ocasião em que se encontrou com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o presidente ainda sofria com soluços. Ontem (13), ele voltou a tratar do tema com seus apoiadores. "Pessoal, eu estou sem voz, pessoal. Se eu começar a falar muito, volta a crise de soluço. Já voltou o soluço", justificou.

Na madrugada de hoje (14), Bolsonaro se queixou de dores abdominais, tendo sido ingressado no HFA, para avaliação do quadro clínico. Conforme o G1, especialistas afirmam que a condição é rara, podendo, sim ter origem em algum remédio. Além disso, informaram que o soluço é um sintoma que pode ser intensificado pelas características pessoais de cada paciente.

O médico Flavio Quilici, professor de Gastroenterologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, explicou que a situação é muito incômoda e que tem relação com o diafragma, um dos principais músculos da respiração. "Você lembra o músculo que tem entre o tórax e o abdômen, que é o diafragma? Quando esse diafragma descontrai, isso faz com que você jogue o ar para cima e a glote, que é a passagem que abre para o estômago ou para o pulmão, fecha, e faz aquele barulho bem característico", ilustrou.

Ao G1, Quilici disse, ainda, que o soluço é comum, sempre por uma irritação da enervação que passa pelo diafragma. No entanto, a permanência do incômodo por vários dias é muito difícil de ocorrer. "Raríssimas vezes, isso persiste por mais de 48 horas, caracterizando-se como uma síndrome do soluço persistente, podemos dizer assim. Dez dias é bastante".

Para o médico, a cirurgia de Bolsonaro pode, sim, estar relacionada com os soluços. "Para ele ficar tanto tempo, pode ser uma complicação esofágica, que é a doença do refluxo. E teve outro fato, também, que é a cirurgia abdominal. Às vezes, as bucais podem levar a esse estímulo", analisou.

Nervo vago - Também ao G1, a gastroenterologista Maíra Marzinotto, do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, disse que qualquer irritação próxima ao diafragma pode causar soluço. Ela afirmou que, no caso de Bolsonaro, o implante dentário pode estar relacionado, uma vez que o nervo vago possui ramificações que vão do canal auditivo até o diafragma. "Não é todo mundo que tem problema no nervo vago que vai desenvolver uma crise de soluço, mas pode acontecer", frisou.

Segundo ela, alguns remédios também podem desencadear crises. "Existem alguns medicamentos que podem causar soluços, principalmente alguns anestésicos. Contudo, são anestésicos mais fortes, utilizados em cirurgia geral, e não em cirurgia local, como os procedimentos dentários", destacou.

tratamento - Para tratar o problema, a especialista apontou que há medicações de uso controlado e vendidos sob prescrição médica. No entanto, ressaltou que a melhor forma é identificar e sanar a origem do problema. "O ideal é sempre procurar a causa do soluço, porque utilizar uma medicação para controlar o soluço é medicar uma consequência. Assim, o problema vai persistir", explicou.

Ela acredita, no entanto, que, no caso do presidente, a persistência do sintoma justifica a indicação de tratamento medicamentoso. "Está perdurando um pouco além do que é esperado. Talvez, fosse hora de entrar com alguma medicação, para tentar controlar os soluços", sugeriu.

Outra alternativa para tratar crises de soluço persistente é a instalação de um marca-passo que ajuda a corrigir o ritmo do diafragma. Todavia, a especialista observa que esta só é empregada em casos muito extremos, em que o sintoma segue por meses.

REAGENDAMENTO - De acordo com o Uol, antes mesmo do Palácio do Planalto emitir o comunicado sobre o ingresso hospitalar do presidente, a assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) havia informado, sem explicar as razões, que a reunião entre os presidentes dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, que aconteceria hoje, "foi cancelada". Conforme o documento, "o encontro será oportunamente reagendado".



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