O presidente Jair Bolsonaro está sendo submetido a uma série
de exames, na manhã desta quarta-feira (14), no Hospital das Forças Armadas (HFA),
em Brasília. A assessoria de imprensa do Planalto divulgou uma nota oficial
confirmando que o chefe do Executivo Nacional deu entrada na unidade de saúde
com a finalidade de investigar a causa da crise persistente de soluços
Segundo o documento, por orientação médica, o presidente
ficará em observação pelo período de 24 a 48 horas, não necessariamente no
hospital. A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo
afirmou, ainda, que Bolsonaro "está animado e passa bem".
Há mais de uma semana, Jair
Bolsonaro vem
reclamando de soluços. Segundo o G1, o próprio presidente alegou que a crise
pode ter sido provocada por medicamentos que precisou tomar, por causa de uma
cirurgia de implante dentário. "Estou há uma semana com soluço, talvez não consiga
me expressar bem nessa live", afirmou, na última quinta-feira (8).
Nesta segunda-feira (12), ocasião em que se encontrou com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Luiz Fux, o presidente ainda sofria com soluços. Ontem (13), ele voltou
a tratar do tema com seus apoiadores. "Pessoal, eu estou sem voz, pessoal. Se
eu começar a falar muito, volta a crise de soluço. Já voltou o soluço",
justificou.
Na madrugada de hoje (14), Bolsonaro se queixou de dores
abdominais, tendo sido ingressado no HFA, para avaliação do quadro clínico.
Conforme o G1, especialistas afirmam que a condição é rara, podendo, sim ter origem em algum remédio.
Além disso, informaram que o soluço é um sintoma que pode ser intensificado pelas
características pessoais de cada paciente.
O médico Flavio Quilici, professor de Gastroenterologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de
Campinas, explicou que a situação é muito incômoda e que tem relação com o
diafragma, um dos principais músculos da respiração. "Você lembra o músculo que
tem entre o tórax e o abdômen, que é o diafragma? Quando esse diafragma
descontrai, isso faz com que você jogue o ar para cima e a glote, que é a
passagem que abre para o estômago ou para o pulmão, fecha, e faz aquele barulho
bem característico", ilustrou.
Ao G1, Quilici disse, ainda, que o soluço é comum, sempre por uma irritação da
enervação que passa pelo diafragma. No entanto, a permanência do incômodo por
vários dias é muito difícil de
ocorrer. "Raríssimas vezes, isso persiste por mais de 48 horas, caracterizando-se
como uma síndrome do soluço persistente, podemos dizer assim. Dez dias é
bastante".
Para o médico, a cirurgia de Bolsonaro pode, sim, estar
relacionada com os soluços. "Para ele
ficar tanto tempo, pode ser uma complicação esofágica, que é a doença do
refluxo. E teve outro fato, também, que é a cirurgia abdominal. Às vezes, as
bucais podem levar a esse estímulo", analisou.
Nervo vago - Também ao
G1, a gastroenterologista Maíra Marzinotto, do Centro Especializado em Aparelho
Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, disse que qualquer irritação
próxima ao diafragma pode causar soluço. Ela afirmou que, no caso de Bolsonaro,
o implante dentário pode estar relacionado, uma vez que o nervo vago possui
ramificações que vão do canal auditivo até o diafragma. "Não é todo mundo que
tem problema no nervo vago que vai desenvolver uma crise de soluço, mas pode
acontecer", frisou.
Segundo ela, alguns remédios também
podem desencadear crises. "Existem alguns medicamentos que podem causar
soluços, principalmente alguns anestésicos. Contudo, são anestésicos mais
fortes, utilizados em cirurgia geral, e não em cirurgia local, como os
procedimentos dentários", destacou.
tratamento - Para tratar o problema, a
especialista apontou que há medicações de uso controlado e vendidos sob
prescrição médica. No entanto, ressaltou que a melhor forma é identificar e
sanar a origem do problema. "O ideal é sempre procurar a causa do soluço,
porque utilizar uma medicação para controlar o soluço é medicar uma
consequência. Assim, o problema vai persistir", explicou.
Ela acredita, no entanto, que, no
caso do presidente, a persistência do sintoma justifica a indicação de
tratamento medicamentoso. "Está perdurando um pouco além do que é esperado.
Talvez, fosse hora de entrar com alguma medicação, para tentar controlar os
soluços", sugeriu.
Outra alternativa para tratar
crises de soluço persistente é a instalação de um marca-passo que ajuda a
corrigir o ritmo do diafragma. Todavia, a especialista observa que esta só é
empregada em casos muito extremos, em que o sintoma segue por meses.
REAGENDAMENTO - De acordo com o Uol, antes mesmo do Palácio do Planalto emitir o comunicado sobre o ingresso hospitalar do presidente, a assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) havia informado, sem explicar as razões, que a reunião entre os presidentes dos poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, que aconteceria hoje, "foi cancelada". Conforme o documento, "o encontro será oportunamente reagendado".