Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF), criticou, nesta segunda-feira (12), a ideia do voto impresso, insistentemente
defendida por Jair Bolsonaro. No entendimento do magistrado, o discurso de que
haverá fraudes nas eleições de 2022, caso a medida não venha a ser adotada, não
passa de uma "lenda urbana", que "galvaniza" a base eleitoral mais radical do presidente.
"Entendo que isso é tão consistente quanto a mensagem que diz que o homem não
foi à lua", ironizou, durante entrevista concedida à rádio CBN.
O tema ganha força à medida que Bolsonaro ventila,
sem qualquer indício de prova, uma suposta articulação do STF para que o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva volte a governar o país, por meio de um
pleito, segundo ele, fraudulento. O chefe do Executivo Nacional tem dito, aos apoiadores, que a única maneira de impedir tal "complô"
seria por meio do retorno do voto impresso.
Gilmar Mendes, no entanto, nega,
veementemente, a existência de uma "conspirata", dentro do STF, para fraudar o
sistema eleitoral. Em resposta às acusações do presidente e às críticas que ele
dispara contra a Suprema Corte, o ministro disse que o chefe do Executivo
deveria fazer um registro positivo da contribuição do Tribunal para sua
governança. Segundo o magistrado, o STF tem contribuído bastante para sua
gestão, "inclusive poupando o governo de erros mais crassos", observou.
Gilmar Mendes garantiu, ainda, que o voto
eletrônico é seguro e argumentou que tanto Bolsonaro quanto os parlamentares que
se elegeram na "onda bolsonarista" assumiram cargos públicos por meio das urnas
eletrônicas. "Já tinham ouvido falar de Hélio Negão? Já tinham ouvido falar de
Bia Kicis? Nenhum de nós tinha ouvido falar deles. Vieram nesse arrastão
provocado pelo presidente Bolsonaro, o que prova que a urna é fiel aos votos
que lá foram depositados", disparou.
Sobre as tensões e desgastes entre as Forças
Armadas e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta, no Senado Federal,
para investigar irregularidades na gestão da pandemia de Covid-19, o magistrado
enfatizou que não é papel das Forças Armadas fazer ameaças à CPI ou ao
Parlamento. "Pelo contrário, as Forças Armadas têm o poder e o dever de
proteger as instituições", lembrou.