O governador Rui Costa criticou, nesta sexta-feira (11), a
declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a desobrigação do uso de máscaras
para pessoas já vacinadas contra o novo coronavírus. "Quem pede para o povo
tirar a máscara é porque está achando pouco as quase 500 mil mortes", disse o
chefe do Executivo baiano, durante a entrega da iluminação de um trecho da
BR-242 e do novo sistema de abastecimento de água, na cidade de Ibotirama.
De acordo com o G1, Rui Costa entende a defesa feita pela presidente
como falta de sensibilidade com a dor e a vida humanas, principalmente, nesse
momento, em que a maioria dos estados brasileiros registra taxa de lotação de
Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acima de 80%. "O presidente da
República falar em retirar máscaras é ser alguém que não tem absolutamente
nenhuma sensibilidade com a dor e a vida humana", reprovou.
O governador disse, ainda, que a desobrigação do uso de
máscaras é algo incompreensível. "Foge
de qualquer racionalidade alguém que representa um país com esse
comportamento", observou, ironizando, também, a fala de Bolsonaro que atribui a
decisão final aos gestores estaduais e municipais. "Eu não apito nada", zombou.
Nesta quinta-feira (10), diz o G1, o presidente solicitou que o ministro da Saúde, Marcelo
Queiroga, desse um parecer para liberar vacinados e recuperados da
Covid-19 de usar o equipamento de proteção individual. Especialistas se
manifestaram contra. Isto porque, mesmo vacinada, uma pessoa pode contrair e
transmitir a doença. E há, no mundo inteiro, inúmeros relatos médicos sobre casos
de reinfecção, ainda que de forma mais leve.
Como lhe é bastante peculiar, Bolsonaro tentou jogar a responsabilidade
para os estados e municípios. Isto após afirmar que a decisão era do gestor da
pasta da Saúde. Na porta do Palácio da Alvorada, ele ainda declarou, a veículos
de imprensa, que quem já foi infectado
e quem tomou vacina não precisa usar máscara. "Quem vai decidir é ele
[Queiroga], dar um o parecer. Se bem que quem decide na ponta da linha é o
governador e prefeito, eu não apito nada. É ou não é? Segundo o Supremo, quem
manda são eles. Nada como você estar em paz com a sua consciência", atribuiu.
Segundo o G1, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiu, no ano passado, que estados e municípios têm direito de tomar medidas
para conter a pandemia, o presidente afirma que o governo federal foi proibido
de liderar ações contra a Covid-19.
Ministros do STF sustentam que o argumento de Bolsonaro não
tem fundamento. E que a deliberação da Suprema Corte foi de que a União é a
responsável por coordenar as ações. Na época, o presidente tinha por objetivo derrubar
medidas de isolamento social e de uso de máscaras, decretadas por governadores
e prefeitos, aos quais ele atribui a culpa pela situação atual do país.
O presidente é contra restrições para conter a disseminação
do vírus, apontadas como essenciais para impedir uma devastação ainda maior do
que a já vivenciada no Brasil e no mundo. Bolsonaro promove aglomerações desde
que a pandemia começou no país, em março de 2020. Na maioria delas, ele foi
flagrado sem máscara, assim como boa parte dos membros de sua comitiva.