O prefeito Colbert Martins Filho não é direto mas deixa transparecer, nas estrelinhas de uma entrevista ao programa Rotativo News, do jornalista Joilton Freitas, na Rádio Sociedade News, estar solidário aos vereadores de seu grupo político que obtiveram esta semana na Justiça (vara da Fazenda Pública) uma liminar suspendendo a CPI da Cesta Básica que estava em curso na Câmara Municipal.
A CPI apurava supostas irregularidades na distribuição de cestas básicas e também do leite, pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Município, às vésperas das eleições, em novembro do ano passado.
O vereador Paulão do Caldeirão, que se anuncia integrante da base de apoio ao governo, mas deu origem ao requerimento para criar a comissão, levanta suspeitas - ele afirma haver vídeos e áudios comprobatórios - de uso eleitoral dos alimentos beneficiando a candidatura (ou candidaturas) de vereadores.
A CPI, porém, pode dar uma tremenda dor de cabeça ao próprio prefeito, alvo de ação por razões semelhantes no Tribunal Regional Eleitoral. A CPI ora suspensa pela Justiça contou com 13 assinaturas, inclusive do presidente da Câmara, Fernando Torres.
"Se os vereadores, que lá subscrevem (a ação judicial) não encontraram esse tipo de respaldo nas suas intervenções, eles buscaram o Poder Judiciário", diz o prefeito, dando a entender que compreende os reclamantes e seus motivos para buscar a Justiça.
Considera que eles defendem "que a lei, efetivamente, seja permanentemente cumprida, direito de todos, dever de cada cidadão que isso se faça". E acrescenta: "Imagino que a busca da lei é sempre muito importante e espero que possam abrir as correções necessárias para que qualquer trabalho como esse possa prosseguir, efetivamente, balizado".
Ingressaram com o mandado de segurança contra a CPI os vereadores Lulinha, Pastor Valdemir, Pedro Américo, Fabiano da Van e Correia Zezito.