Morreu, às 8h20 deste domingo (16), o prefeito da cidade de São
Paulo, Bruno Covas. Ele tinha 41 anos e lutava contra um câncer que se originou
na região da cárdia, local de transição entre esôfago e estômago, evoluindo,
posteriormente, para metástase no fígado, ossos e linfonodos. A doença foi
descoberta em outubro de 2019.
Após passar por sessões de quimioterapia e imunoterapia, o
câncer regrediu. No entanto, menos de dois anos depois do diagnóstico, acabou
voltando, ainda mais agressivo. Desde então, o gestor vinha apresentando
complicações, a exemplo de sangramentos no estômago.
De acordo com a Agência Brasil, o velório será restrito, com
a presença apenas da família, mas também haverá uma cerimônia na prefeitura.
Bruno Covas estava licenciado do cargo desde o início de maio, em tratamento no
Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Assumiu seu lugar, interinamente, o
vice Ricardo Nunes (MDB), que, agora, assume o cargo em definitivo.
Filho de Pedro Lopes e Renata Covas Lopes e pai do jovem
Tomás Covas, de 15 anos, Bruno nasceu em Santos, no litoral paulista, no dia 7
de abril de 1980. Ele foi advogado, economista e político. Mudou-se para São
Paulo em 1995 e, dois anos depois, filiou-se ao PSDB, seguindo os passos do
avô, o ex-governador de São Paulo Mário Covas (1930-2001), sua grande inspiração
e influência política. Chegou a ser presidente estadual e nacional da Juventude
do PSDB e ocupou cargos na Executiva Estadual.
A carreira política de Bruno Covas começou em 2004, quando se
candidatou a vice-prefeito de Santos. Dois anos mais tarde, foi eleito deputado
estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo reeleito para o mesmo
cargo em 2010, com mais de 239 mil votos. O político foi o mais votado daquele
ano.
Em 2011, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente no
governo de Geraldo Alckmin, permanecendo no cargo até 2014, quando foi eleito
deputado federal para o mandato 2015-2019, com 352.708 votos. Na Câmara, foi
vice-líder do partido, entre março de 2015 e janeiro de 2017, e teve uma
atuação voltada a políticas de meio ambiente, agropecuária, direitos humanos,
educação, cultura e esportes. O tucano também integrou a comissão que analisou,
em 2016, o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), a
quem seu partido fazia oposição.
Segundo a CNN Brasil, dois anos depois, Bruno Covas se
colocou como pré-candidato a prefeito de São Paulo, mas retirou a postulação. Desta
vez, a predileção de Alckmin por João Doria criou insatisfações dentro do PSDB,
levando até mesmo à saída de nomes históricos do partido, como Andrea
Matarazzo, que também queria concorrer e acabou migrando para o PSD.
Após as prévias confirmarem a indicação de Alckmin, de que
Doria fosse o candidato à prefeitura, a escolha de Bruno Covas como postulante
a vice visava pacificar o partido e dar à chapa do empresário paulistano ares
de que se tratava mesmo de uma candidatura tucana. A posse de Covas como
prefeito da capital só veio em abril de 2018, quando Doria saiu candidato ao
governo do estado de São Paulo.
Em 2020, contando com o apoio de parte considerável do
partido, saiu candidato e se reelegeu com 59,38% dos votos válidos, derrotando Guilherme Boulos (PSOL), no segundo
turno. No discurso da vitória, Covas afirmou que a cidade votou pelo "equilíbrio", "moderação" e pela "ciência"
e que era "possível fazer política sem ódio".
Bruno Covas assumiu o mandato em meio ao tratamento contra o
câncer e à pandemia. Contraiu Covid-19, em junho de 2020, mas continuou
trabalhando, remotamente, até recuperar-se totalmente da doença.
Em 2021, por conta do câncer, o estado de saúde do prefeito
de São Paulo se agravou acentuadamente. Até que, nesta sexta-feira (14), o
boletim médico atestou que seu quadro clínico era considerado irreversível.
Ele vinha sendo medicado com analgésicos e sedativos. E passou os últimos
momentos ao lado da família.