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Política

Morre Bruno Covas, prefeito de São Paulo; gestor lutava contra um câncer metastático

16 de Maio de 2021 | 11h 48
Morre Bruno Covas, prefeito de São Paulo; gestor lutava contra um câncer metastático
Foto: Foto: Valéria Gonçalvez/Estadão Conteúdo/Arquivo

Morreu, às 8h20 deste domingo (16), o prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas. Ele tinha 41 anos e lutava contra um câncer que se originou na região da cárdia, local de transição entre esôfago e estômago, evoluindo, posteriormente, para metástase no fígado, ossos e linfonodos. A doença foi descoberta em outubro de 2019.

Após passar por sessões de quimioterapia e imunoterapia, o câncer regrediu. No entanto, menos de dois anos depois do diagnóstico, acabou voltando, ainda mais agressivo. Desde então, o gestor vinha apresentando complicações, a exemplo de sangramentos no estômago.

De acordo com a Agência Brasil, o velório será restrito, com a presença apenas da família, mas também haverá uma cerimônia na prefeitura. Bruno Covas estava licenciado do cargo desde o início de maio, em tratamento no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Assumiu seu lugar, interinamente, o vice Ricardo Nunes (MDB), que, agora, assume o cargo em definitivo.

Filho de Pedro Lopes e Renata Covas Lopes e pai do jovem Tomás Covas, de 15 anos, Bruno nasceu em Santos, no litoral paulista, no dia 7 de abril de 1980. Ele foi advogado, economista e político. Mudou-se para São Paulo em 1995 e, dois anos depois, filiou-se ao PSDB, seguindo os passos do avô, o ex-governador de São Paulo Mário Covas (1930-2001), sua grande inspiração e influência política. Chegou a ser presidente estadual e nacional da Juventude do PSDB e ocupou cargos na Executiva Estadual.

A carreira política de Bruno Covas começou em 2004, quando se candidatou a vice-prefeito de Santos. Dois anos mais tarde, foi eleito deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, sendo reeleito para o mesmo cargo em 2010, com mais de 239 mil votos. O político foi o mais votado daquele ano.

Em 2011, assumiu a Secretaria Estadual do Meio Ambiente no governo de Geraldo Alckmin, permanecendo no cargo até 2014, quando foi eleito deputado federal para o mandato 2015-2019, com 352.708 votos. Na Câmara, foi vice-líder do partido, entre março de 2015 e janeiro de 2017, e teve uma atuação voltada a políticas de meio ambiente, agropecuária, direitos humanos, educação, cultura e esportes. O tucano também integrou a comissão que analisou, em 2016, o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), a quem seu partido fazia oposição.

Segundo a CNN Brasil, dois anos depois, Bruno Covas se colocou como pré-candidato a prefeito de São Paulo, mas retirou a postulação. Desta vez, a predileção de Alckmin por João Doria criou insatisfações dentro do PSDB, levando até mesmo à saída de nomes históricos do partido, como Andrea Matarazzo, que também queria concorrer e acabou migrando para o PSD.

Após as prévias confirmarem a indicação de Alckmin, de que Doria fosse o candidato à prefeitura, a escolha de Bruno Covas como postulante a vice visava pacificar o partido e dar à chapa do empresário paulistano ares de que se tratava mesmo de uma candidatura tucana. A posse de Covas como prefeito da capital só veio em abril de 2018, quando Doria saiu candidato ao governo do estado de São Paulo.

Em 2020, contando com o apoio de parte considerável do partido, saiu candidato e se reelegeu com 59,38% dos votos válidos, derrotando Guilherme Boulos (PSOL), no segundo turno. No discurso da vitória, Covas afirmou que a cidade votou pelo "equilíbrio", "moderação" e pela "ciência" e que era "possível fazer política sem ódio".

Bruno Covas assumiu o mandato em meio ao tratamento contra o câncer e à pandemia. Contraiu Covid-19, em junho de 2020, mas continuou trabalhando, remotamente, até recuperar-se totalmente da doença.

Em 2021, por conta do câncer, o estado de saúde do prefeito de São Paulo se agravou acentuadamente. Até que, nesta sexta-feira (14), o boletim médico atestou que seu quadro clínico era considerado irreversível. Ele vinha sendo medicado com analgésicos e sedativos. E passou os últimos momentos ao lado da família.



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