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Política

Em novas mensagens da Lava Jato entregues ao STF, procuradora diz que Lula precisava ser atingindo na cabeça

12 de Fevereiro de 2021 | 11h 32
Em novas mensagens da Lava Jato entregues ao STF, procuradora diz que Lula precisava ser atingindo na cabeça
Foto: Reuters

A defesa de Luís Inácio Lula da Silva protocolou, nesta sexta (12), no Supremo Tribunal Federal (STF), uma petição contendo mensagens que mostram procuradores discutindo a necessidade de atingir o ex-presidente “na cabeça”, com a finalidade de vencer “as batalhas já abertas” pela Operação Lava Jato. De acordo com Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo, a troca de mensagens ocorreu no dia 5 de março de 2016, um dia após Lula ser conduzido, coercitivamente, para depor na Polícia Federal (PF).

Os diálogos foram obtidos, pela Operação Spoofing, de um hacker que invadiu celulares de autoridades e revelam que os procuradores também mencionam que, se tentassem “atingir ministros do STF”, naquele momento, poderiam comprar brigas “com todos ao mesmo tempo”. Nesse contexto, a procuradora Carolina Rezende, membro da equipe do então procurador-geral da República Rodrigo Janot, propõe, então, que o melhor a fazer seria atingir “o ministro mais novo do STJ”.

Bergamo ressalta que, em dezembro de 2015, o ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, ficou sob o fogo cruzado da Lava Jato, após Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, afirmar, à Procuradoria-Geral da República (PGR), ter “ouvido” do então senador Delcídio Amaral que havia uma “movimentação política” para que seu pai obtivesse um habeas corpus por intermediação de um ministro de sobrenome “Navarro”.

Marcelo Navarro tinha havia sido nomeado meses antes para o STJ e, naquele momento, era o relator da Lava Jato na Corte. Segundo a articulista, ele acabou sendo afastado do caso, sob o pretexto de que havia sido voto vencido em decisões sobre a Lava Jato. Assume a relatoria, então, o ministro Felix Fischer, que votou invariavelmente a favor de todas as decisões dos procuradores da Lava Jato e do juiz Sergio Moro.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), diz Mônica Bergamo, também aparece como alvo preferencial dos investigadores. Na fala, transcrita pela defesa de Lula e incluída na petição ao STF, a procuradora, identificada nas mensagens apenas como Carol, afirma (a grafia foi mantida como na mensagem original):

“Pessoal, fiquei pensando que precisamos definir melhor o escopo pra nós dos acordos que estão em negociação. Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), pra nós da PGR, acho q o segundo alvo mais relevante seria Renan. Sei que vcs pediram a ODE [empreiteira Odebrecht] que o primeiro anexo fosse sobre embaraço das investigações. Achei excelente a ideia mas agora tenho minhas dúvidas se o tema é prioritário e se é oportuno nesse momento. Não temos como brigar com todos ao mesmo tempo. Se tentarmos atingir ministros do STF, por exemplo, eles se juntarao contra a LJ, não tenho dúvidas. Tá de bom tamanho, na minha visão, atingirmos nesse momento o min mais novo do STJ. acho que abrirmos mais uma frente contra o Judiciário pode ser over. Por outro lado, aqueles outros (lula e Renan) temas pra nós hj são essenciais p vencermos as batalhas já abertas”.

Conforme diálogos da petição enviada ao STF, pela defesa Lula, no mesmo dia, os procuradores da força-tarefa também combinam a divulgação de uma nota em favor do ex-juiz Sérgio Moro, que foi questionado por determinar a condução coercitiva do ex-presidente petista. Bergamo destaca que um dos procuradores chega a afirmar que a ação era necessária para “não deixarmos um amigo apanhar sozinho”. E a procuradora Carol completa: “Coitado de Moro.. Não ta sendo fácil. Vamos torcer pra esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula”.

Com base nas conversas, os advogados do ex-Chefe de Estado afirmam que a Lava Jato “atuava não apenas com o objetivo de devassar e produzir qualquer coisa” contra Lula, mas também ocultava “provas de sua inocência”.

Segundo Mônica Bergamo, em uma das mensagens, procuradores da Lava Jato dizem que Paulo Dalmazzo, ex-diretor da Andrade Gutierrez, afirmou que Lula tinha feito uma palestra para a empresa, saindo dela “ovacionado”. Então, um dos procuradores que investigava palestras realizadas pelo ex-presidente diz: “Não botei o termo”.



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