Um grupo de médicos e cientistas protocolou um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, na Câmara dos Deputados. O documento cita crimes de responsabilidade cometidos na condução da pandemia de Covid-19.
De acordo com o G1, para embasar a solicitação, os profissionais listaram uma série de declarações públicas e ações do presidente da República, de março de 2020, quando o novo coronavírus começou a se alastrar pelo Brasil, até o dia 20 de janeiro de 2021. No entendimento do grupo, Bolsonaro usou sua força política e os poderes a ele investidos “para desacreditar medidas sanitárias de eficácia comprovada e desorientar a população, cuja saúde deveria proteger”.
A frase “Não sou coveiro”, proferida, pelo presidente, no início da pandemia, quando o país registrava 2.575 mortes e mais de 40,5 mil casos confirmados da doença, é uma das afirmações mencionadas. A resposta foi dada a um jornalista que questionou o elevado número de óbitos.
O pedido de impeachment também lembra as declarações de Bolsonaro contra as medidas de isolamento social e várias ocasiões em que o presidente minimizou os efeitos da Covid-19. “O Sr. Jair Messias Bolsonaro insistiu em arrastar a credibilidade da Presidência da República (e, consequentemente, do Brasil) a um precipício negacionista que implicou (e vem implicando) perda de vidas e prejuízos incomensuráveis, da saúde à economia”, ressalta o documento.
Conforme o G1, agora, cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidir se aceita ou não um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo Nacional. Ao todo, são mais de 60 solicitações contra Bolsonaro, que tem Lira como aliado político.
O documento foi assinado por oito profissionais de saúde, dentre médicos e cientistas. São eles:
- Daniel de Araújo Dourado - Médico, advogado e pesquisador Associado do Núcleo de Pesquisa em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (NAP-DISA/USP)
- Eloan dos Santos Pinheiro - Ex-diretora da Far-Manguinhos (Fiocruz)
- Gonzalo Vecina Neto - Médico, professor de saúde pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- José Gomes Temporão - Médico sanitarista e ex-ministro da Saúde
- Ethel Leonor Noia Maciel - Pesquisadora no Campo da Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia
- Reinaldo Ayer de Oliveira - Médico e Conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP)
- Ricardo Oliva - Médico sanitarista
- Ubiratan de Paula Santos - Pneumologista do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
OUTROS PEDIDOS – Ainda conforme o G1, no dia 26 de janeiro, lideranças religiosas também protocolaram um pedido de impeachment contra Bolsonaro, devido à atuação do governo no enfrentamento da pandemia. O documento foi assinado por 380 pessoas ligadas às igrejas católica, anglicana, luterana, presbiteriana, batista e metodista, além de 17 movimentos cristãos.
No dia seguinte, foi a vez de seis partidos políticos de oposição — PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e Rede – darem entrada, na Câmara dos deputados, em um pedido de impedimento do presidente, com base nos mesmos argumentos.