Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, s�bado, 20 de junho de 2026

Política

Bolsonaro afirma que cloroquina pode ser placebo, mas segue dizendo que compra e indica o uso

05 de Fevereiro de 2021 | 14h 13
Bolsonaro afirma que cloroquina pode ser placebo, mas segue dizendo que compra e indica o uso
Foto: Adriano Machado/Reuters

Mesmo após a cloroquina ser descartada dos protocolos médicos referentes ao tratamento da Covid-19, em todo o mundo, por ineficácia comprovada, o presidente da República, Jair Bolsonaro, segue incentivando seu uso como “tratamento precoce”. Ontem (4), no entanto, ele acrescentou uma novidade ao discurso: admitiu que o remédio pode ser apenas um placebo, isto é, um medicamento sem efeito contra o novo coronavírus.

O portal de notícias Uol destaca que, ao dar tal declaração, o presidente, consequentemente, assumiu que o Governo Federal gastou milhões de reais em um remédio sem eficácia no combate à pandemia. “Pode ser que lá na frente falem: a chance é zero, era um placebo. Tudo bem, paciência. Me desculpa. Tchau. Pelo menos não matei ninguém”, ironizou Bolsonaro.

A afirmação foi feita em uma transmissão ao vivo, que contou com a participação do diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. O Uol lembra, entretanto, que, ao aprovar o uso emergencial de vacinas contra Covid-19, o órgão deixou claro que não há um tratamento com efeito comprovado contra a doença.

Nenhum estudo científico chegou à conclusão de que a cloroquina evitaria o contágio pelo vírus ou impediria que a doença se agravasse, muito menos que contribuía para a cura dos pacientes. Mesmo assim, Bolsonaro, que não tem qualquer formação na área médica, não perde uma oportunidade de recomendar o fármaco. E, conforme o Uol, também fez isso ontem. “Vi alguns estudos dizendo que tem 70% de eficácia. Então 140 mil mortes poderiam ter sido salvas”, falou o presidente, sem especificar as supostas fontes de pesquisa.

Desde o início da pandemia no Brasil, em março de 2020, o chefe do Executivo nacional cita dados não comprovados, com a finalidade incentivar a população a usar o remédio. “Vou chutar aqui. Por volta de 30% das mortes poderiam ser evitadas com hidroxicloroquina usando na fase inicial”, afirmou no ano passado. Segundo o site, na mesma ocasião, Bolsonaro ainda divulgou outra inverdade sobre o tratamento da Covid-19: “uma maneira de você conseguir vitamina D é pelo sol. E a vitamina D ajuda aí a combater o vírus”.

Também em 2020, em outra transmissão ao vivo, o presidente fez até brincadeira para incentivar o uso de cloroquina. O episódio aumentou a politização em torno do assunto. “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína”, declarou.

De acordo com o Uol, já em 2021, o Ministério da Saúde lançou um aplicativo para recomendar tratamentos contra a Covid-19, no Amazonas. O programa foi criticado, por indicar remédios sem efeito comprovado. O Governo Federal chegou a divulgar o aplicativo nas redes sociais, mas, posteriormente, retirou o programa das lojas virtuais, afirmando que ele só foi ao ar por ações de hackers. E é preciso lembrar que o Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, tampouco é médico ou tem qualquer formação na área de saúde.

Outro equívoco difundido por Bolsonaro, lembra o site, diz respeito aos efeitos colaterais provocados pela droga. O presidente, em inúmeras ocasiões, afirmou que o fármaco não provoca reações adversas. “Se não faz mal, o médico falou que não está previsto esse mal que você tem na bula do remédio, não provoca arritmia, por que não tomar? Eu tomei”, garantiu.

No entanto, os efeitos da medicação no organismo humano podem se apresentar de várias formas: diarreia, náusea, dor abdominal, falta de apetite, constipação, vômito, tontura, sonolência, vertigem, tremor, febre, coceira, lesões de pele e urticária estão entre os principais. Por isso, a bula recomenda cautela, especialmente, em se tratando de com pacientes com histórico de doenças hepáticas e renais ou com problemas cardíacos, gastrointestinais e neurológicos.

O medicamento também é contraindicado para crianças menores de seis anos. Entretanto, segundo o Uol, o aplicativo do Ministério da Saúde, divulgado no Amazonas, não fazia qualquer menção a essa advertência em relação à idade e podia recomendar cloroquina até para bebês.

IVERMECTINA – O governo federal também já defendeu o uso do vermífugo Ivermectina para tratar a Covid-19. Ontem, entretanto, a Merck, fabricante da medicação, que, no Brasil, é representada pela MSD, afirmou que ainda não há evidências de que o fármaco traga benefícios aos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Por meio de um comunicado, diz o portal de notícias, a empresa disse que não há base científica que indique efeitos terapêuticos contra a Covid-19 nos estudo pré-clínicos já publicados. A farmacêutica também afirmou que não foi encontrada evidência significativa de eficácia ou atividade clínica do medicamento em pacientes acometidos pela doença.

MILHÕES INVESTIDOS – De acordo com uma reportagem da BBC News Brasil, até o momento, os gastos da União com cloroquina, hidroxicloroquina, tamiflu, ivermectina, azitromicina e nitazoxanida somam, pelo menos, R$ 89.597.985,50. O levantamento foi feito por meio de fontes públicas. E também lembra que nenhum desses medicamentos tem efeito comprovado contra Covid-19. Mas, em dezembro do ano passado, o Estadão divulgou que o Governo Federal investiu cerca de R$ 250 milhões só para distribuir a cloroquina pelo país.



Política LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

charge

As mais lidas hoje