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Política

Em mais uma declaração polêmica, Bolsonaro atribui desemprego a uma suposta falta de preparo dos brasileiros

06 de Janeiro de 2021 | 11h 47
Em mais uma declaração polêmica, Bolsonaro atribui desemprego a uma suposta falta de preparo dos brasileiros
Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

O presidente Jair Bolsonaro deu uma série de declarações polêmicas, nesta terça-feira (5), ao deixar o Palácio da Alvorada. Uma delas diz respeito ao alto índice de desemprego no país. Em conversa com apoiadores, o chefe do Executivo afirmou que um dos motivos para a grande desocupação que assola a classe trabalhadora é que parte dos brasileiros “não está preparada para fazer quase nada”.

Bolsonaro ainda criticou o alto número de ações trabalhistas e afirmou que ser patrão, no Brasil, “é uma desgraça”. A fala do presidente, no entanto, não é inaugural. Desde que assumiu o governo federal, em 2018, o presidente defende a classe empresarial. Em inúmeras ocasiões, repetiu a mesma queixa, apontando dificuldades, segundo ele, enfrentadas pelos empregadores.

O jornal O Globo lembra que, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), divulgada, no fim do mês passado, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego, no Brasil, chegou a 14,3%, em outubro. O quadro é desolador. Cerca de 14 milhões de brasileiros estão em busca de trabalho, atualmente.

O presidente, no entanto, não atribui isso ao quadro econômico desfavorável, que apenas se agravou, no último ano, com a pandemia do novo coronavírus. “É um país difícil de trabalhar. Quando fala em desemprego, é alto por vários motivos. Um é a formação dos brasileiros. Uma parte considerável não está preparada para fazer quase nada. Nós importamos muitos serviços”, imputou.

De acordo com o jornal O Globo, no momento em que deu tal declaração, Bolsonaro estava acompanhado do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi, que comentou um ponto da reforma trabalhista de 2017. Até então, o trabalhador que recorria à Justiça do Trabalho não tinha ônus, se perdesse o processo. Mas, a partir da reforma, passou a ter que arcar com as custas processuais, em caso de sentença desfavorável. Segundo o ministro, isso diminuiu a quantidade de processos trabalhistas. Bolsonaro, então, disparou: “O Brasil tinha mais ações trabalhistas que o mundo todo junto. Vá ser patrão num país desse! Ser patrão é uma desgraça”.



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