O presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer duros ataques à imprensa, nesta sexta-feira (18). Exaltado, o chefe do pode Executivo disse que a mídia defende “canalhas” e sempre estará contra os policiais. O discurso foi proferido durante uma cerimônia de formação de novos policiais militares, no Rio de Janeiro.
De acordo com o Uol, os ataques aconteceram justo no dia em que duas revistas semanais divulgaram reportagens contendo novos detalhes sobre a suposta ajuda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) à defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), no polêmico caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Bolsonaro recomendou aos novos policiais não esquecerem de que estarão sós, em muitos momentos. E que, por isso mesmo, deveriam se preparar cada vez mais e simular as operações que poderiam aparecer. Em seguida, disparou: “porque, em uma fração de segundo, está em risco a sua vida, a de um cidadão de bem ou a de um canalha defendido pela imprensa brasileira. Não se esqueçam disso. Essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês. Pense dessa forma para poder agir”, incitou.
O presidente estava acompanhado do filho Flávio; do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; e do atual governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC) e seguiu atacando a imprensa, em diversos momentos de sua fala, sob o pretexto de defender a democracia e a nação. “Jamais a nossa democracia e a nossa liberdade serão ameaçadas por quem quer que seja. Os três poderes são independentes e anônimos. Mas o maior poder é o do povo brasileiro. Povo esse ao qual eu devo lealdade absoluta”, declarou.
Jair Bolsonaro acusou, expressamente, a imprensa de fabricar fake news. “Contamos com o povo maravilhoso e a liberdade das mídias sociais, que essas, sim, trazem a verdade para vocês. Uma fábrica de fake news está em grande parte da imprensa brasileira. Isso é uma vergonha para o mundo”, apontou.
ABIN PARALELA –A exaltação do presidente se deve ao fato de a revista Época ter publicado uma entrevista com a advogada Luciana Pires, que representa o senador Flávio Bolsonaro. Na publicação, a jurista afirma que recebeu recomendações da Abin para tentar anular um inquérito em que o parlamentar é investigado por suposto desvio de dinheiro do salário de assessores, quando era deputado estadual, no Rio de Janeiro. Ela salienta, no entanto, que não seguiu os conselhos, por estarem fora de seu alcance.
Conforme o Uol, hoje, a revista Crusoé também publicou uma matéria sobre a suposta tentativa de interferência da Abin. Segundo a reportagem, há mensagens que comprovam que foi o delgado Alexandre Ramagem, diretor do órgão, que encaminhou os relatórios com as recomendações para livrar Flávio Bolsonaro da investigação. Os textos, diz a revista, foram preparados por uma unidade interna do órgão, que atua paralelamente e é comandada por Marcelo Bormevet, apontado, na publicação, como amigo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e ex-integrante da equipe de segurança de Jair Bolsonaro, na campanha presidencial de 2018.
De acordo com o Uol, apesar de a defesa de Flávio admitir a existência dos dois relatórios, a Abin e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negam que o órgão tenha feito os documentos. O caso está sendo apurado por meio de um inquérito aberto junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).