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Saúde

Irmã Dulce desliga ar-condicionado e reduz mão de obra para sobreviver

20 de Junho de 2016 | 17h 56

Recursos do SUS são insuficientes para manter as contas em dia

Irmã Dulce desliga ar-condicionado e reduz mão de obra para sobreviver

As dívidas das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) crescem tanto quanto as filas diárias para a procura de atendimento em frente ao Hospital Santo Antônio, no Largo de Roma. A projeção é que no final deste segundo semestre o déficit orçamentário da unidade médica, que funciona com financiamento 100% do SUS, chegue a R$ 18 milhões. O cenário foi apresentado na manhã desta segunda-feira (20) em um evento promovido pelo Ministério Púbico, em sua sede do Centro Administrativo da Bahia, para debater a crise que atinge as instituições filantrópicas.

Por conta do endividamento, resultado da defasagem dos valores dos serviços tabelados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atrasos nos repasses, a instituição desligou na semana passada os aparelhos de ar-condicionado das enfermarias e de outros ambientes em que a climatização é opcional para o funcionamento. O objetivo é reduzir a conta de energia elétrica.

Além disso, a administração da unidade reduziu a carga horária de alguns profissionais e manteve a suspensão – desde o ano passado – de reparos das estruturas e de alguns equipamentos. “Parece pouco, mas é um esforço que estamos fazendo para diminuir esse déficit (de R$18 milhões), nada garante, mas a projeção é essa. E o que estamos tentando é a redução dessa dívida, afinal como você reduz atendimento quando a fila está cada vez maior?”, questiona a superintendente da Osid, Maria Rita Pontes. Além da redução do número de atendimentos, também não estão previstos cortes no quadro de pessoal. “A Osid hoje é um milagre diário”, afirmou Maria Rita.

Novas UTIs

Diante do cenário da crise, uma mediada que entra em vigor na próxima segunda-feira (27) parece contraditória à primeira vista: a criação de dez novos leitos de UTI para pacientes adultos. A superintendente explica que há uma fila de dez mil pessoas esperando para fazer cirurgia e com os novos leitos de UTI haverá o aumento de receita e diminuição dos custos justamente com esses pacientes que aguardam por um procedimento cirúrgico. “Essas pessoas estão morrendo na fila ou ficam aguardando nas enfermarias por uma vaga de UTI, então há um custo de hotelaria muito alto, a pessoa, às vezes, fica uma semana (internada), está pronta para a cirurgia e fica aguardando a vaga. Um hospital com mil e cinco leitos e só com dez leitos de UTI se torna ineficiente do ponto de vista cirúrgico”, explica Maria Rita. A ampliação foi uma proposta da Secretaria de Saúde do governo do estado.

A redução da manutenção dos equipamentos também preocupa a instituição, já que isso significa em alguns casos aumento do custo de energia e também sucateamento. “Se você desliga os aparelhos de ar-condicionado no Hospital Santo Antônio durante o dia você tem uma economia de R$160 a hora, então dez horas por dia são 1.600 reais, então isso tem impacto no final do mês na conta de energia, no horário de pico, 900 reais”, ilustra Maria Rita. A unidade também está revendo e negociando os contratos com os fornecedores, além de estar buscando doações, que também reduziram nos últimos meses.

Outras unidades

O Hospital Martagão Gesteira também expôs sua situação crítica. Todos os meses, e com os mesmos motivos, a instituição fecha o mês com déficit de R$ 500 mil reais, e as dívidas já estão sendo cobradas por fornecedores, que também estão à beira da falência. De acordo com o superintendente da Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil, entidade mantenedora do Martagão Gesteira, Antônio Santos Novaes Júnior, o hospital já acumula mais de R$ 20 milhões em empréstimos e já está no limite, impedido de buscar novos financiamentos. As dívidas de todas as filantrópicas da Bahia somam mais de R$ 1 bilhão, segundo o vice-presidente nacional da Federação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas, Maurício Dias. 

FONTE: Correio



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