“Aqui me encontrei profissionalmente. Me realizei”, diz o massoterapeuta
Cego desde os 18 anos, Neirivaldo Batista de Santana descobriu a massagem no início dos anos 2000. Identificou-se com a profissão e tornou-se um especialista em descobrir, com as pontas dos dedos, os pontos de tensão nos corpos castigados pela vida moderna. E, com movimentos suaves, tratá-los. Há três meses ele atende idosos e idosas que participam das atividades do Centro de Convivência Dona Zazinha Cerqueira, mantido pela prefeitura de Feira de Santana.
“Massagem é suavidade”, prega. Ressalta que o tato independe da visão. “O cego tem a percepção mais aguçada”. Com as pontas dos dedos e movimentos suaves encontra os nódulos de estresse. “São resultados de técnicas e manobras sobre o corpo, que atuam e proporcionam bem-estar”, diz ele sobre o que é massagem.
“Estou aqui para revigorar o corpo e melhorar a auto-estima”, confirma Virgínia Leite, que começou a fazer massagem nesta semana. As sessões no Centro são gratuitas.
Neirivaldo estudou até o ensino médio. Também aprendeu braile, o alfabeto mundial dos cegos. Aprendeu a fazer massagens e não parou mais. Foram vários os cursos. Antes do Centro de Convivência desenvolveu a atividade em outros locais e atende também na própria residência.
O primeiro curso tomado por ele foi de massagem oriental, na Fundação Jonathas Telles de Carvalho, que trabalha com cegos. Depois vieram o de antiestresse, a técnica de movimentos que relaxam e os indicados para paralisia facial.
“Aqui me encontrei profissionalmente. Me realizei”, afirma o massoterapeuta, que atende até sete pessoas por tarde de trabalho – sempre às segundas e terças-feiras.
A realização está relacionada às respostas que recebe das pessoas. Conta que depois de participar de um projeto no local, observou a necessidade da aplicação dos seus conhecimentos nos idosos.
“Iniciamos o nosso trabalho porque os idosos apresentam problemas de dores nas articulações e de circulação”, comenta o massoterapeuta. Ele salienta que a massagem não cura, mas alivia os sintomas.
O que é confirmado por pacientes como Marizete Falcão, que participa das sessões todas as semanas. “Ele presta um serviço da mais alta qualidade, que reflete positivamente na qualidade de vida de todos nós”, reconhece.
Um reconhecimento que infelizmente é raro na vida dos deficientes, visuais ou não. “Dos 25 deficientes que fizeram o curso comigo, dois ou três continuam em atividade. E nas próprias casas, porque as empresas não os contratam. As portas não são abertas para que os cegos mostrem seu potencial”, lamenta.