Doações cresceram pouco e demanda aumentou
Apesar da campanha para doação de leite materno, o Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) não conseguiu aumentar seu estoque. Pelo contrário, ele diminuiu e está em situação crítica. Por isso, ela será prorrogada. Antes da campanha, havia 29 litros no banco de leite. Agora, são apenas 15 litros.
A campanha, realizada pelo Centro de Incentivo ao Aleitamento Materno do hospital, teve início dia 18 de fevereiro e terminaria nesta sexta-feira (4). “A gente precisava de uma data para começar e uma data para terminar, mas essa campanha é permanente, porque a necessidade de leite é permanente”, salienta Ângela Carvalho, enfermeira do banco de leite do hospital.
“O efeito da campanha não foi satisfatório, então nós continuamos com o estoque de leite muito baixo. Poucas mães aderiram e a gente está correndo o risco de deixar de ter leite para as crianças que estão internadas na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] ou no berçário”.
A campanha foi feita através dos meios de comunicação de massa. Como não obteve o efeito esperado, está sendo lançada nesta sexta-feira (4) uma campanha digital, pelas redes sociais, por tempo indeterminado, como forma de prorrogação da anterior.
Ainda conforme a enfermeira, “nessa época de dezembro, janeiro e fevereiro, existe uma queda muito grande das doações”, pois muitas mães estão viajando.
A necessidade mensal para alimentar os recém-nascidos internados no Hospital é de aproximadamente 100 litros de leite materno. A demanda está grande. “Nós estamos com crianças usando leite materno numa quantidade grande, então o estoque que nós temos não chega a 15 dias”, relata Ângela. “Foram poucas doações que vieram a mais e a necessidade do uso do leite continuou a mesma e até aumentou um pouco”. Daí a redução do estoque.
Para Érica dos Santos Maciel, doar “é uma questão de amor mesmo, a gente sabe que tem crianças precisando, então a gente tem que ajudar, colaborar”. Em pleno ato de doação, ao ser questionada sobre a sensação de estar amamentando uma criança que não é sua, ela, que tem leite “para dar e vender”, sorri. “Inexplicável”. A cabeleireira defende que “saber que está doando vida para aquela criança é o importante. A gente dá com amor e muita alegria”. Para as mães que têm bastante leite e não doam, ela dá um recado: “Que elas tenham consciência de que existem crianças nos hospitais precisando desse leite. Não custa nada, gente!”.
A doação é simples. Basta que a mulher esteja saudável e tenha leite suficiente para amamentar seu bebê e algum excedente. As mães podem se dirigir ao banco de leite ou telefonar para o número (75) 3221-0353 e agendar uma visita técnica à casa da doadora, para orientar a ordenha. Um funcionário do hospital vai à casa da pessoa, tanto levar o material necessário quanto buscar o leite para doação. O processo não dói, a não ser que esteja com a mama ingurgitada (popularmente chamado de "leite empedrado"). Mas nesse caso, a ordenha faz com que não haja acúmulo do leite, que poderia evoluir para uma mastite (inflamação).
Hospital da Mulher
O outro banco de leite da cidade, o do Hospital da Mulher Inácia Pinto dos Santos, não sofre do mesmo problema. A demanda é de 50 a 70 litros por mês e a instituição conta com cerca de 80 litros. Essa quantia alimenta de 80 a 100 crianças.
Mas, para Camilla da Cruz Martins, coordenadora do banco de leite da instituição, “o estoque está no limite” e “ o ideal é que tivéssemos o dobro para não estarmos em alerta”, pois, “como o fluxo de partos está aumentando, a gente tem que se preparar para aumentar a demanda”.