Uma semana depois de chamar a atenção de todos os analistas políticos no Estado, ao encontrar-se com o manda-chuva do MDB, Geddel Vieira Lima, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, retorna ao noticiário por mais uma reunião que mexe com o imaginário de muita gente. Nesta quarta, ele esteve com uma influente dupla de lideranças do PT baiano, o governador Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner. Lógico que o encontro atiçou a Internet, sendo este o principal prato do dia para os articulistas dos meios de comunicação no Estado, rivalizando com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD do senador Otto Alencar.
Paira, nesta nova reunião, a mesma dúvida que restou da anterior: se a conversa foi para tratar de política, uma possível aliança entre o cacique do União Brasil e a reeleição de Jerônimo, ou para assuntos de menor complexidade. Com Geddel, segundo o prefeito, não se discutiu absolutamente nada de uma possível aproximação com a candidatura do petista, nem de levar o MDB para as bandas de ACM Neto, o virtual candidato da oposição nas próximas eleições.
Agora, no encontro com o governador e o senador, o assunto em pauta foi explicado dessa maneira, pelo senador Jaques Wagner, ao portal Bnews: "Fomos conhecer uma proposta, que ainda está em fase de projeto, de um parque urbano para Feira de Santana. Então, não passou disso, não teve uma conversa política. O governador recebeu uma proposta de um parque urbano, uma área verde, para Feira de Santana e foi mostrar para o prefeito, lá. Foi só isso". Ronaldo, por sua vez, ainda não falou à imprensa sobre a reunião.
A justificativa de Wagner merece uma reflexão. Primeiro, porque uma reunião para discutir sobre uma área verde para Feira de Santana, talvez, salvo melhor juízo, seria algo para ser tratado pelo prefeito, seu secretário de Meio Ambiente, o governador ou seu representante. A presença do senador, evidente, não chega a ser estranha. Mas comum, não é. Segundo porque a fala do ex-governador guarda uma discreta contradição, coisa clássica das desculpas não muito bem concatenadas.
Atenção: inicialmente, ele diz "fomos conhecer uma proposta ainda em fase de projeto...". Não dá a entender que ele e Jerônimo foram conhecer a ideia, que seria apresentada por Ronaldo? Em seguida, informa que "o governador recebeu uma proposta e foi mostrar para o prefeito". Jerônimo recebeu proposta de quem? Não parece ter se confundido? Pois é. Este é mais um "evento" fortemente midiático, a ser interpretado de várias formas, e que, aparentemente, guarda segredos que somente devem ser desvendados um pouco mais adiante. Por ora, nada mais há a fazer que especular. Cada um que faça a sua aposta.
Interessante debate está ocorrendo, por parte de duas lideranças políticas locais, sobre uma possivel implantação da tarifa zero, ou seja, gratuidade total, ampla e irrestrita, no transporte coletivo em Feira de Santana. Pré-candidato a deputado federal, o membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) e do Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula, Deyvid Bacelar, defendeu em suas redes sociais que seja instalada uma frota de ônibus elétricos nas cidades brasileiras com tarifa zero e este seria o desafio da Prefeitura de Feira.
Feirense, o líder sindical do segmento petroleiro acredita que este será um dos principais pontos de discussão no Congresso Nacional em 2026 e cobrou dos vereadores que levantem o assunto este ano. Sem apresentar dados ou proposta fundamentada de viabilidade econômica do benefício, no entanto, ele foi muito bem contestado pelo vereador Pedro Américo, que parece estar debruçado em estudos sobre o tema. O parlamentar disse reconhecer que discutir gratuidade é legítimo, já ocorre em diferentes cidades brasileiras e no Congresso Nacional, mas somente com análise de custos, desenho institucional e fontes permanentes de financiamento, para que a pauta, de relevância social, não se transforme em "promessa sem lastro".
Considera incorreto, "induzir a população", a concluir que a Prefeitura, de forma isolada, teria obrigação de bancar a tarifa zero. “O município não pode ser tratado como caixa único de um problema que é nacional. Quando a proposta não explica quanto custa, quem paga e como se sustenta, ela cria expectativa e frustração, em vez de solução”, declarou. Em mais um recado direto a Deyvid, disse o vereador, para construir "uma política pública séria", antes de "vender uma ideia" como simples, se deve apresentar custo anual estimado, impacto na frota e na oferta de linhas, fonte de receita dedicada e divisão clara de responsabilidades entre Município, Estado e União.
Para Pedro Américo, a tarifa zero só se torna viável em cidades de médio porte quando existe cofinanciamento estruturado, previsível e contínuo. Ele observa que, no Brasil, experiências consideradas bem-sucedidas dependem, em geral, de receitas específicas, como fundos locais, royalties ou modelos robustos de subsídio, e exigem atenção permanente aos riscos de precarização do serviço quando não há custeio estável.
No caso de Feira de Santana, acredita, é necessário buscar um pacto federativo para a mobilidade urbana, com participação direta do Governo do Estado e do Governo Federal. “Quando o Estado subsidia modais estruturantes na capital, fica claro que o subsídio é uma prática legítima de política pública. O debate correto é definir qual modelo de cofinanciamento é possível para Feira, com metas, contrapartidas, fiscalização e garantia de qualidade do serviço”, argumentou.
Um "roteiro técnico", em sua avaliação, passa por auditoria e publicação dos custos reais do sistema; simulações de cenários, tarifa zero total, parcial, por público específico ou por dias e horários; definição de fontes de financiamento, como fundo municipal de mobilidade, receitas acessórias do sistema e aportes estaduais e federais; contratos com metas de desempenho e mecanismos efetivos de controle; e implementação de projeto-piloto monitorado antes de qualquer ampliação.
"Eu quero reafirmar a minha candidatura ao senado da República. São duas vagas, eu sou um dos candidatos e o nosso candidato a governador chama-se Jerônimo Rodrigues”. A declaração, atribuída ao ministro-chefe da Casa Civil, o ex-governador Rui Costa, publicada este fim de semana pelo "Blog Marcos Frahm", merece uma breve análise. A entrevista foi concedida na cidade de Maracás, onde foi finalizada a primeira etapa do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA).
O ministro reafirma sua candidatura e garante que uma das duas vagas para disputar o Senado, na chapa governista, será dele. Evidentemente, Rui tem direito e, mais que isto, força política e experiência, para ser um postulante ao cargo de senador pela Bahia. A sua vontade de participar da disputa é absolutamente legítima. Um nome fortíssimo, que figura entre os favoritos para esta peleja eleitoral de outubro próximo.
Há, porém, algo que o ex-governador precisa modificar em seu discurso, nas próximas ocasiões em que esteja falando à imprensa. Deve ser alertado, pela assessoria, que um pré-candidato, como ele é, não tem que dizer, categoricamente, a oito meses da eleição, muito antes da convenção partidária, que "são duas vagas, eu sou um dos candidatos". Nem assegurar, de forma insofismável, que "o nosso candidato a governador chama-se Jerônimo Rodrigues".
Não é, ou não deveria ser, o trio formado por Rui, Wagner e Jerônimo, que decide sozinho quem são os candidatos do grupo. Muito menos um deles apenas. Sabe-se que, nos bastidores, eles, de fato, decidem. Mas demonstrar publicamente o seu poder de fogo soa um tanto arrogante e não faz bem à imagem. Trata-se, e assim Rui deve chamar, de pré-candidaturas, que ainda carecem ser discutidas pelo arco de alianças, definidas junto a todos os atores envolvidos e aprovadas em convenção.
De toda forma, a declaração do poderoso ministro de Lula não deixa dúvida quanto à sua disposição de, efetivamente, arrebatar uma das vagas ao Senado e garantir a continuidade de Jerônimo no Palácio de Ondina. Se alguém alimentava a esperança de convencer Rui a disputar uma vaga na Câmara Federal ou especulava que ele poderia ser o sucessor do governador, abrindo brecha para a reeleição do senador Ângelo Coronel, pode tirar o cavalo da chuva.
O que faz um político importante, em uma campanha eleitoral, se ele não pretende ser candidato a coisa alguma? Neste pleito que se avizinha, as candidaturas possíveis são para presidente da República, governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Quem pretende disputar um desses cargos, está na briga, em contato com lideranças, se articulando por legenda, buscando apoios. Mas como segue a vida daqueles que, por exemplo, cumprem mandato e não pretendem desincompatibilizar-se do cargo para concorrer a outro?
Continua administrando o município, no caso de um prefeito, se mantendo alheio a toda a movimentação em torno de si mesmo ou de companheiros de batalha, ou vai pra guerra, em defesa destes e de suas causas? Ficar parado, vendo as estrelas, não parece ser a opção. É arregaçar a manga e partir pra cima, até porque, comandando uma máquina poderosa, não tem o direito de se excluir do processo, salvo motivações excepcionais. Não disputar coisa alguma dá ao chefe do Executivo a capacidade de girar 360 graus, o que amplia o olhar sobre seus movimentos.
O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, acertadamente, reafirmou para a imprensa, esta semana, que vai cumprir o mandato, que se encerra somente em 31 de dezembro de 2028, como comprometeu-se na campanha em que se elegeu pela quinta vez para comandar os destinos desta cidade. Ele já havia se afastado uma vez da Prefeitura, para disputar o Governo do Estado, em abril de 2018, restando dois anos e meio de gestão pela frente. Seu vice, Colbert Martins Filho, assumiu o poder e foi reeleito em 2020.
Aquela foi a terceira vez, na história da cidade, que um prefeito renunciou para disputar outro cargo. Antes, João Durval deixou a Prefeitura para também se candidatar a governador. Assim como Ronaldo, terminou derrotado em sua cobiça para chegar ao Palácio de Ondina. A primeira vez que um fato como este ocorreu foi nos anos 1980, quando Colbert Martins, o pai, saiu do Paço Municipal para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, logrando êxito. A curiosidade é que, nos dois casos anteriores, o vice José Raimundo Azevedo ascendeu à titularidade.
Qualquer que lhe fosse o convite, não ficaria bem para Ronaldo, novamente, deixar a Prefeitura, especialmente com a palavra que empenhou em sentido contrário. Ainda mais que não parece haver nenhum "cavalo selado" passando em sua porta. Parado, no entanto, não vai ficar, como deixou muito claro várias vezes, ao expressar, coerentemente, o desejo de apenas tratar de política em 2026, focando exclusivamente na gestão, durante o primeiro ano de governo.
Bem verdade que sua proximidade, além da habitual, com o governador e adversário político Jerônimo Rodrigues, transpareceu algo além do relacionamento institucional, na temporada que se encerrou. Os observadores até podem achar que, sim, teve um pouco de política, mas a argumentação do prefeito é bem articulada e não permite nada mais do que especulações. O seu estilo não é de ficar apenas acompanhando um processo como este, sem participar. Como ele próprio admite sempre, respira política 365 dias por ano. Deverá entrar em cena com o destaque que detém.
Assim, pedirá voto para seus candidatos em cada segmento desta eleição, de presidente a deputado estadual. A definição sobre quais nomes ele vai priorizar, por exemplo, para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal, é bastante aguardada. Para os cargos executivos, como se diz no futebol, a partida está aberta e tudo pode acontecer. Há quem aposte em seu apoio a ACM Neto, que o golpeou quatro anos atrás, e os que acreditam em uma "resposta" dele ao ex-prefeito de Salvador, que poderia vir através de um cruzar de braços ou até mesmo algo radical, aliança com a oposição.
O ano novo chegou e Ronaldo, cumprindo o que preconizou, já dá sinais de que vai atuar fortemente, ocupando lugar entre os protagonistas, dado ao peso do seu nome, e de Feira de Santana. O encontro com Geddel causou um frisson. Analistas políticos tentam, mas não conseguem desvendar o segredo do que conversaram. Novos movimentos devem ocorrer neste jogo de xadrez em que o prefeito de Feira tem influência semelhante ao da dama ou rainha no xadrez. Qual será a sua próxima ação? Não esqueçamos, ele é uma peça do jogo capaz de se mover para frente ou para trás, pelos lados ou diagonais. Também consegue atacar e defender ao mesmo tempo.
Assunto que predomina, esta semana, nos meios políticos, o encontro entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima, na residência do comandante-em-chefe do MDB baiano, na capital, vem aguçando a curiosidade dos articulistas políticos. O assunto está em todos os sites e blogs do Estado. A reunião tem sido tratada como algo que pode, efetivamente, deixar de olhos bem atentos o governador Jerônimo Rodrigues e aliados, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e os senadores Jaques Wagner, Otto Alencar e Ângelo Coronel. Também aumenta a tensão de ACM Neto, principal opositor do PT no Estado.
O convite para o encontro provavelmente partiu de Geddel, visto que ocorreu em sua residência. Uma conclusão parece ser óbvia: a conversa, amplamente divulgada pela mídia, foi um "evento" milimetricamente estudado, em todas as suas nuances, pelos dois experientes políticos. Ou seja, nada é por acaso neste acontecimento, talvez o mais fustigante deste início de ano.
Geddel deve estar sentindo cheiro de fumaça no ar, com toda essa lambança protagonizada pelo PT na formação da chapa para o Senado, em que Ângelo Coronel seria defenestrado para dar espaço a alguém maior que ele, o ministro Rui Costa, podendo sobrar para o MDB caso negociações passem pela vaga de candidato a vice-governador. Geraldo Júnior seria sacrificado. Os Vieira Lima já se anteciparam na imprensa, afirmando que não existe possibilidade de o partido perder esse espaço, visto que foi conquistado na eleição de 2022.
Um encontro tão badalado com Ronaldo, ao mesmo tempo um aliado do carlismo, ao mesmo tempo pretensamente um nome disputado por Jerônimo, cai como uma luva para Geddel. Os petistas ficam sem saber o que os dois pesos-pesados podem estar articulando. Uma das mensagens que ficam é o interesse do general do MDB da Bahia de mostrar a Jerônimo, Wagner e Ruy que não convém colocar em dúvida a manutenção do vice-governador Geraldo Júnior na chapa governista.
Esta deve ter sido a ideia de Geddel. Mas e se o objetivo for outro, ele representar Jerônimo em um diálogo com Ronaldo, nome publicamente cobiçado pelos governistas para formar uma aliança no pleito vindouro? Esta não é a maior das possibilidades, mas não pode ser descartada e, justamente por isto, se tivesse barba, o pré-candidato a governador pela oposição, ACM Neto, a colocaria de molho, imediatamente. O encontro pode, sim, aumentar a tensão, também, deste outro lado do campo de jogo.
Neto anda desconfiado de enfrentar problemas com Ronaldo desde que trocou o ex-prefeito, que a Bahia apostava em ser seu companheiro de chapa na eleição de 2022, por uma ilustre desconhecida diretora de televisão de Salvador, ação equivocada e, na opinião de muitos, um dos fatores determinantes para a sua derrota nas urnas, mesmo considerado favorito até os últimos dias da campanha.
Então, o ex-prefeito de Salvador deve sentir calafrios toda vez que Ronaldo e Jerônimo trocam afagos. Claro, também, diante deste inesperado encontro de duas horas com Geddel para uma longa conversa, segundo o ex-ministro, "sobre o cenário da política na Bahia e no Brasil, encontro entre amigos para uma troca de ideias". Nada definitivo, disse ainda Geddel, "não se tratou sobre a vinda dele para o MDB". Evidentemente, discurso bem combinado entre eles para a imprensa digerir. Ronaldo e Geddel, é óbvio, fizeram este encontro cientes cientes do tamanho da repercussão e coube ao ex-ministro, reconhecidamente mais midiático, levantar a bola para os jornalistas. O que ele fez com maestria.