Maior país importador da carne bovina oriunda do Brasil, a China anunciou, nesta terça-feira (2), o reconhecimento de todo o território brasileiro como área livre da febre aftosa.
O parecer, que foi divulgado durante
visita diplomática do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira,
ao país asiático, ocorre após mais de 20 anos de negociações.
A decisão ampliará oportunidades para as exportações de
produtos bovinos e suínos procedentes do Brasil no mercado chinês, como miúdos
e carne com osso. As exportações do
agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões, em
2025.
Durante missão presidencial à China, em maio do ano passado,
os dois países assinaram “memorando de entendimento entre o Ministério da
Agricultura e Pecuária do Brasil e a Administração-Geral de Aduanas da
República Popular da China na Área de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias”. O
documento reforçou o diálogo sanitário entre os países, contribuindo, assim,
para o avanço de medidas de interesse do setor agrícola brasileiro.
Entenda a doença – A febre
aftosa é uma doença viral
altamente contagiosa, que afeta, sobretudo, animais de produção com casco
bipartido, a exemplo de bovinos, suínos, ovinos e caprinos, além de alguns
animais silvestres.
Apesar de ser considerada uma
zoonose, isto é, transmissível de animais a pessoas, a enfermidade raramente infecta seres humanos,
podendo ocorrer em situações especiais, que envolvem exposição intensa ou
contato direto com animais infectados, feridas na pele ou ingestão de leite não
pasteurizado.
No entanto, a virose preocupa o mundo, uma vez que pode
resultar em grande impacto econômico. Isto porque a doença pode se espalhar
rapidamente entre os rebanhos, podendo levar a significativas perdas diretas, em
função dos sintomas clínicos, com uma consequente queda na produção. Já as
perdas indiretas podem ocorrer com os embargos econômicos impostos por países
importadores.