Neste momento, milhares de pessoas estão morrendo, vítimas de violência, acidentes, doenças e outras causas, sem saber que parte de seu corpo daria vida a outro ser humano. Elas poderiam oferecer seus órgãos para transplantes, mas isso poucas vezes acontece. Para quem necessita de órgãos, essa é uma situação angustiante, desumana e até mesmo injusta.
A DOAÇÃO de órgãos ou de tecidos é um ato
pelo qual manifestamos a vontade de doar uma ou mais partes de nosso corpo para
ajudarmos no tratamento de outra pessoa. Não há como prever o futuro, mas
sempre existe a probabilidade de necessitarmos de um transplante ou de recebermos
a triste notícia do óbito de um familiar. Por isso, não devemos ter receio de falar
com familiares sobre o assunto e de registrar nosso desejo da doação de órgãos
e tecidos.
DOAR órgãos de um familiar morto para que
alguém viva é, sempre, um gesto de solidariedade. A família tem direito de
decidir sobre a doação de órgãos de um dos seus familiares, após a confirmação
do diagnóstico de morte encefálica. (Lei Federal nº 10.211 de 23/03/2001). O
Sistema Nacional de Transplantes é quem decide sobre os critérios de destinação
justa dos órgãos doados e a organização de listas de espera, evitando e
coibindo toda a tentativa de comércio.
ALÉM disso, a doação de órgãos exige
rigorosa observância dos princípios éticos, que proíbem a provocação da morte
dos doadores, a comercialização e o tráfico. Devem ser respeitadas a
inviolabilidade da vida e a dignidade da pessoa humana. A Ética determina,
ainda, que, após ter recebido todas as informações requeridas, o consentimento
do doador ou de sua família seja livre e consciente.
TAMBÉM é necessário esclarecer que doar
órgãos para salvar outra pessoa não implica em nenhuma falta de respeito com a
sensibilidade humana e, nem mesmo, com os ensinamentos do cristianismo. Isso corresponde
ao espírito cristão, porque a prioridade é o serviço à vida e à saúde. Com
certeza, será uma grande alegria saber que o corpo morre, porém, vai deixar
vida em outro corpo, ou seja, viverá em outra pessoa.
PORTANTO, incentivamos e encorajamos pessoas e
famílias a doarem órgãos, como gesto de solidariedade humana e cristã.
Certamente, estamos diante de um gesto muito nobre, ou seja, um sim à vida. Foi
o próprio Jesus que disse: “Vim para que todos tenham vida e vida em
abundância” (Jó 10, 10). E, ainda: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá
a vida pelos seus amigos” (Jó 15, 13). Bendita seja a doação de órgãos!
*Dom Itamar Vian é Arcebispo
Emérito de Feira de Santana ([email protected]).