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Dom Itamar Vian

VIVER EM OUTRA PESSOA

Dom Itamar Vian - 09 de Março de 2026 | 15h 41
VIVER EM OUTRA PESSOA
Foto: Reprodução

Neste momento, milhares de pessoas estão morrendo, vítimas de violência, acidentes, doenças e outras causas, sem saber que parte de seu corpo daria vida a outro ser humano. Elas poderiam oferecer seus órgãos para transplantes, mas isso poucas vezes acontece. Para quem necessita de órgãos, essa é uma situação angustiante, desumana e até mesmo injusta.

A DOAÇÃO de órgãos ou de tecidos é um ato pelo qual manifestamos a vontade de doar uma ou mais partes de nosso corpo para ajudarmos no tratamento de outra pessoa. Não há como prever o futuro, mas sempre existe a probabilidade de necessitarmos de um transplante ou de recebermos a triste notícia do óbito de um familiar. Por isso, não devemos ter receio de falar com familiares sobre o assunto e de registrar nosso desejo da doação de órgãos e tecidos.

DOAR órgãos de um familiar morto para que alguém viva é, sempre, um gesto de solidariedade. A família tem direito de decidir sobre a doação de órgãos de um dos seus familiares, após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. (Lei Federal nº 10.211 de 23/03/2001). O Sistema Nacional de Transplantes é quem decide sobre os critérios de destinação justa dos órgãos doados e a organização de listas de espera, evitando e coibindo toda a tentativa de comércio.

ALÉM disso, a doação de órgãos exige rigorosa observância dos princípios éticos, que proíbem a provocação da morte dos doadores, a comercialização e o tráfico. Devem ser respeitadas a inviolabilidade da vida e a dignidade da pessoa humana. A Ética determina, ainda, que, após ter recebido todas as informações requeridas, o consentimento do doador ou de sua família seja livre e consciente.

TAMBÉM é necessário esclarecer que doar órgãos para salvar outra pessoa não implica em nenhuma falta de respeito com a sensibilidade humana e, nem mesmo, com os ensinamentos do cristianismo. Isso corresponde ao espírito cristão, porque a prioridade é o serviço à vida e à saúde. Com certeza, será uma grande alegria saber que o corpo morre, porém, vai deixar vida em outro corpo, ou seja, viverá em outra pessoa.

PORTANTO, incentivamos e encorajamos pessoas e famílias a doarem órgãos, como gesto de solidariedade humana e cristã. Certamente, estamos diante de um gesto muito nobre, ou seja, um sim à vida. Foi o próprio Jesus que disse: “Vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jó 10, 10). E, ainda: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jó 15, 13). Bendita seja a doação de órgãos!





*Dom Itamar Vian é Arcebispo Emérito de Feira de Santana ([email protected]).



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