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Valdomiro Silva

A decisão mais importante de Ronaldo não é se será candidato a vice

VALDOMIRO SILVA - 16 de Fevereiro de 2026 | 17h 58
A decisão mais importante de Ronaldo não é se será candidato a vice
Foto: Jorge Magalhães/Secom PMFS

O grande dilema, para não chamar de drama, do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, não é aquele que ele faz questão de frisar, em todas as entrevistas concedidas à imprensa: se José Ronaldo vai ou não ser o candidato a vice, na chapa por ele encabeçada para o Governo da Bahia. A questão é outra, senão vejamos. Ronaldo ser ou não candidato, nestas eleições é fato menor no processo. O que conta, mesmo, é quem vai apoiar, para o Palácio de Ondina, não sendo ele postulante a nenhum cargo eletivo em outubro, algo que parece estar muito próximo de se concretizar. Afinal, pode não ser vice em chapa alguma e isto não resolver absolutamente nada. Basta que anuncie que seu candidato preferido não será o da oposição. 

ACM Neto tem pregado nas entrevistas, com razão, que para ser candidato a algo Ronaldo precisaria receber o apoio do eleitorado que nele votou e o elegeu por maioria em primeiro turno, no pleito municipal de 2024. O vice-presidente nacional do União Brasil tem dito que somente acredita em uma renúncia de mandato por parte do prefeito de Feira de Santana se houver apoio do povo, para esta decisão. 

José Ronaldo, nesta altura do campeonato, já deve ter números de pesquisa em mãos, a propósito dele deixar ou não a gestão, entregando-a ao vice-prefeito Pablo Roberto, que comandaria o Poder Executivo por dois anos e oito meses. Nessa hipótese,  o atual titular do Paço Maria Quitéria teria exercido o quinto mandato por apenas um ano e quatro meses.  Portais de notícias e programas de rádio bem poderiam realizar pesquisa de opinião para mensurar o sentimento do feirense sobre o prefeito sair ou ficar.

Bem, não é do feitio de Ronaldo prometer e não cumprir. Como já escrevi aqui algumas vezes, o prefeito não deverá  deixar a administração para ser candidato, até o final dos quatro anos, diante da ênfase com que  fez o juramento em sua campanha. Claro, as especulações são normais, pois estamos falando de política,  ainda mais, levando em conta que o próprio possível candidato a vice-governador, ou a senador, por alguma razão ainda a ser estudada, deixa todo mundo na dúvida, quando diz que está pensando qual decisão vai tomar - o suspense vai durar até o o início de abril.

 Retornando ao ponto inicial, a grande questão é quem José Ronaldo vai apoiar para governador. O favoritismo nesses cenários, creio, é sempre da permanência onde o político está. A surpresa seria sair do local se encontra, especialmente no caso de alguém que há cerca de meio século faz parte de uma mesma sigla e, mais que isto, de um mesmo segmento, a direita. ACM Neto cometeu, em 2022, o grande erro de sua trajetória, ao desprezar o prefeito feirense e toda a sua influência regional para optar por uma ilutre desconhecida em sua chapa.

Pelo discurso adotado mais recentemente, dizendo inclusive não se sentir traído pelo companheiro de União Brasil, Ronaldo dá a entender que está bem mais propenso a seguir firme com a oposição ao governador Jerônimo Rodrigues. Alguém diz, "mas eles dois estão se relacionando muito bem, vai ser difícil o prefeito dizer não a Jerônimo". Negativo. o prefeito, águia em política, pode dizer simplesmente que tudo o que houve foi institucional, sem qualquer compromisso de ordem política, e estará tudo muito bem explicado.

O que está em jogo não é meramente uma resposta a ACM Neto por conta do que ele aprontou lá atrás. Trata-se de uma mudança de rumo radical, após Ronaldo ter construído uma vitoriosa  história, ao longo de 50 anos. Um eleitor ronaldista, a propósito, tem uma justificativa interessante, para a permanência do prefeito na direita: "nós elegemos a ele, não ao PT. Portanto, ele não pode, agora, entregar-se à esquerda que nós ajudamos a derrotar".




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