A obra da Lagoa Grande, revitalizada pela autarquia estadual Conder (Companhia de Desenvolvimento Urbano), que a transformou em um espaço de lazer indiscutivelmente expressivo, verdadeiro cartão postal, talvez o mais belo da cidade, sempre foi alvo de polêmica, envolvendo os governos da Bahia e de Feira de Santana. O Estado, aqui representado principalmente pelo deputado federal Zé Neto, e a Prefeitura, neste embate defendida pelo secretário de Planejamento, Carlos Brito, sempre divergiram sobre o momento de o Município assumir a responsabilidade pela gestão e manutenção do equipamento.
No fim de 2025, a comunidade reclamou de sujeira na Lagoa Grande e o deputado, prontamente, justificou que a Prefeitura já deveria ter assumido este serviço. O prefeito José Ronaldo retrucou, afirmando que o Estado continuava sem completar a drenagem ao redor. Zé Neto, então, anunciou que o governador Jerônimo Rodrigues havia autorizado a contratação temporária de empresa especializada, para fazer a limpeza, porém, dando a entender que a responsabilidade deveria ser do poder municipal.
Nas entrevistas de fim de ano, para a imprensa feirense, Zé Neto afirmou, com todas as letras, que a obra já está concluída. "O deputado fez questão de frisar que todas as etapas do serviço foram concluídas e que não existe mais nada a ser feito no local", relatou o Acorda Cidade:
“Não tem mais nada para fazer. Não tem um milímetro para fazer ali. São três etapas. A etapa da construção social e do conjunto, entregue, foi aquela parte primeira, lá do Conjunto Conder. A segunda parte é aquela do espelho d’água, que tem toda aquela coisa maravilhosa que a gente construiu. E a terceira parte é a de saneamento, de drenagem. A obra já acabou há seis meses”,
Provocado pela Tribuna Feirense nesta terça, a analisar as declarações do deputado, o secretário de Planejamento disse que ele está "equivocado". Conforme Carlos Brito, resta uma etapa fundamental, a execução da microdrenagem. "Está prevista no projeto encaminhado para a Sedur (Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado), ao então titular da pasta, Alfonso Florence, a microdrenagem em torno da lagoa". Sem ela, afirma, as águas "fatalmente"vão invadir as casas na parte mais baixa". Entende o experiente secretário municipal que "não se conclui uma obra dessa sem fazer isto".
Brito diz que a microdrenagem, aprovada no projeto encaminhado junto ao Banco Mundial, para receber os recursos, foi licitada, mas não executada. "Deve ter sido alterado (o projeto) em função dos custos e quando começaram a querer executar, o dinheiro não era mais suficiente". Resumindo, garante, "a obra está inacabada".
Este impasse é algo importante, que deve ser tratado diretamente entre o governador e o prefeito. Afinal, caso Estado e Município não cheguem a um entendimento, o futuro da Lagoa Grande é colocado em xeque. O bom relacionamento institucional entre os dois gestores impõe que eles se reúnam, com suas respectivas assessorias técnicas, para discutir uma solução.
Enquanto não se encontra um acordo, aquele manancial não tem a estrutura e a atenção necessárias para que venha a ser explorado, pela população, em todo o seu potencial. É preciso cuidado para esta obra não vir a ser transformada em um uma novela parecida com a do Centro de Convenções, que durou quase duas décadas para se escrever o capítulo final.