Numa noite de verão, junto a uma floresta,
um vaga-lume divertia-se acendendo e apagando as luzinhas verdes. Outros
insetos o cumprimentavam, pelo seu efeito luminoso. Ele não tinha inimigos. Mas,
repentinamente, surgiu uma cobra, exibindo uma língua desafiadora e olhos
malvados. Então, o vaga-lume perguntou: “Por que você pretende me destruir?” E
a cobra respondeu: “Porque você brilha!”.
O INVEJOSO não suporta
o sucesso dos outros e não se conforma em ver alguém melhor do que ele. O
cultivo do rancor, pelo êxito dos outros, é um dos piores vícios do invejoso. A
inveja está sempre com pessoas soberbas, que querem ser melhores do que as
outras em tudo. São pessoas inseguras ou revoltadas, que, não conseguindo o
mesmo sucesso dos outros, ficam corroídas de inveja e desejando-lhes o mal. A
inveja tem como filhas a competição egoísta, o ódio e a murmuração.
A INVEJA, no âmbito religioso, não permite que
vejamos a ação de Deus nas outras crenças, somente eu estou certo, quem crê
como eu, se salva; aos outros, a condenação. No aspecto político, produz a
visão ideológica da realidade, todos os outros são corruptos. Quem não é do meu
partido, não age em boa fé. No campo social, leva ao desprezo pelos que conseguem
ter êxito na vida.
POR QUE impedir que o outro seja trabalhador e
profissional? Por que impedir que seja bem sucedido, que tenha um bom emprego e
se sinta livre em suas iniciativas? Por que impedir que cada ser humano tenha
suas próprias ideias, seu jeito de ser e viver?
Por que, na
mesma profissão e na mesma categoria de trabalho, massacrar e até matar o outro,
para impedir que seja bem sucedido? Será que somente eu e meu grupo temos o
direito de ter sucesso?
CADA PESSOA tem o direito de ter seu lugar na vida e
na sociedade. Cada um tem o direito de fazer frutificar suas qualidades e exercer
a profissão que deseja. Todos nós temos o direito de termos nossa profissão, ideologia,
religião e nosso partido político. Um provérbio popular garante: “Dize-me o que
criticas e dir-te-ei o que desejas”. Não há necessidade de apagar a luz dos
outros, para que a minha brilhe.
NO LIVRO “Os Noivos”, de Alessandro Manzoni, tem um
personagem que afirma: “Tudo é puro para aquele que é puro!” Vale a alternativa
contrária. Tudo é mau para aquele que é mau. O Evangelho esclarece: “O olho é a
lâmpada do corpo. Se o olho for sadio todo o corpo será luminoso” (Mt. 6,22). Recomenda,
também, tirar a trave do próprio olho antes de querer tirar o cisco no olho do
irmão. (Lc. 6-42).
Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito