Não é retórico dizer
que, hoje (25), a Feira de Santana ardeu sob o calor. Mais do que isso:
literalmente cozinhou-se, fritou-se, ao longo de manhã e tarde incandescentes.
Logo cedo alcançou-se impressionantes 33 graus, mas a sensação térmica era ainda
mais desesperadora: inacreditáveis 36º. À medida que a manhã findava e a tarde despontava,
as temperaturas tornaram-se mais elevadas.
Às 13 horas a
temperatura cravava 36 graus, mas a sensação térmica era de insanos 39º. Uma
hora depois a sensação permanecia a mesma, mas a temperatura escalara mais um
pouco, cravando 37º. Naquele instante, a umidade do ar era de 35% e o vento –
tudo parecia parado sob a luz metálica – era de 6 quilômetros por hora.
Pela rua, mulheres
abrigadas sob sombreiros e sombrinhas, homens imprevidentes, sem nada, apressados.
No mais, pelas vias, escassos pedestres. Quem trafegava de carro baixava a temperatura
do ar-condicionado ou danava-se se não dispunha do acessório. Pouco depois do
meio-dia, sob o sol, a sensação era de 41º. Mais tarde, um termômetro no centro
da cidade indicava desérticos 46º.
As copas das árvores
sertanejas – mesmo das palmeiras imperiais – sequer balançavam. Bulício só dos
pássaros, num chilrear incessante, despropositado sob aquele ardor de brasa. No
céu umas poucas nuvens – miúdas – coadjuvantes diante daquele sol impiedoso.
Nunca as sombrinhas, os
sombreiros, os guarda-chuvas – mesmo as desprezadas marquises – foram tão
indispensáveis. As garrafas de água para hidratação, tampouco. Os protetores
solares, então, caminham para se tornar gênero de primeira necessidade. É bom
insistir: vá lá que é ano de El Niño, esperava-se mesmo o calor. Mas é
evidente que as mudanças climáticas estão aí, inevitáveis, irreversíveis.
Nos encontros casuais,
sempre que se fala sobre o calor – tema inevitável entre feirenses – alguém se
espanta e acrescenta, os olhos muito abertos:
– E olha que nem chegou o
verão. Imagina quando chegar...