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Calor e mudanças de hábitos

André Pomponet - 16 de Outubro de 2023 | 19h 21
Calor e mudanças de hábitos
Foto: Reprodução/www.atualimobiliaria.com.br

Mal começou a primavera, mas o calor tem sido rijo, aqui, na Feira de Santana. As temperaturas são dignas dos verões mais abrasadores. Logo cedo – aí por volta das 9 horas – o suor escorre pelos semblantes e é necessário buscar sombras. Há quem se proteja com sombrinhas ou guarda-chuvas; outros resguardam-se sob as sombras das árvores, das marquises, dos oitões.

Os mais antigos vasculham na memória lembranças de tempos tão quentes, sem muito sucesso. Vá lá que estamos sob o efeito do temido el niño, fenômeno que se repete com certa frequência. Mas, mesmo assim, as temperaturas estão se elevando e, aos poucos, com o passar dos anos, vão impondo mudanças de hábitos.

Um deles é o uso do guarda-chuva ou da sombrinha. Antigamente, recorria-se ao acessório só nos dias chuvosos. Com o sol impiedoso brilhando no céu, muita gente vem se resguardando, recorrendo ao acessório, com suas estampas coloridas, reluzentes.

Mais sutil, no entanto, é a mudança de horários. Quem se atrela ao ponto eletrônico e à jornada formal pouco pode fazer. Autônomos e informais, porém, se ajustam ao clima, até porque a própria demanda por seus serviços cai em determinados horários, sobretudo naqueles mais escaldantes. São comuns comentários sobre isso.

Talvez a mudança nos horários de clientes e consumidores se torne permanente, não se restrinja aos dias mais tórridos. Afinal, vem crescendo a quantidade de dias com temperaturas mais altas, sobretudo na primavera e no verão. Estudos científicos, divulgados com regularidade, comprovam a sensação.

É uma tendência de longo prazo, comércio e serviços terão que se ajustar às mudanças climáticas cujos efeitos já se fazem sentir? A pergunta é complexa e uma resposta assertiva é difícil. Mas o fato é que, a partir das 10 horas, muita gente se resguarda, cautelosa. Há algum paradeiro pelas ruas comerciais, que só recobra o ânimo a partir das 15 horas.

Pode ser só algo transitório, efeito do el niño. Mas pode ser também uma postura necessária para sobreviver neste planeta, que sente, a cada dia, os efeitos crescentes das mudanças climáticas.



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