Populares bloquearam o acesso ao Terminal Central, na manhã
de ontem (02), aqui, na Feira de Santana. O noticiário indica que reivindicavam
redução no valor da tarifa, aumento da frota e veículos em melhores condições de
circulação. As reivindicações são justas: quem viaja pelo Brasil sabe que, para
cidades do seu porte, a maltratada Princesa do Sertão tem um dos piores
sistemas de todo o País.
Dispor de um sistema público de transportes com qualidade é
requisito indispensável para o desenvolvimento. Afinal, é ele o responsável
pela circulação de trabalhadores, de estudantes, de gente com múltiplas
demandas pelo espaço urbano, enfim, de toda a população. Quanto mais qualificado
o serviço, maior o potencial de geração de riqueza de uma comunidade. A
constatação é meio óbvia, mas é visível que não recebe grande atenção na Feira
de Santana.
Os integrantes da caravana festiva para Brasília –
destacaram-se, nela, vereadores e empresários –, que celebrou os 190 anos da
Feira de Santana, deviam atentar para a questão e, de fato, discutir soluções. Aprimorar
o sistema de transporte público no município implica numa típica situação de
ganha-ganha, à qual, à primeira vista, ninguém se opõe.
Nos últimos anos, o município experimentou uma inédita
expansão de suas fronteiras, com o surgimento de dezenas de condomínios
habitados por milhares de feirenses. É visível que o sistema de transportes,
defasado, não acompanhou essas mudanças. Afinal, as queixas se avolumam nos
pontos de ônibus, nos terminais, dentro dos próprios veículos.
Ano que vem, acontecem eleições municipais. O prefeito Colbert Filho (MDB), no segundo mandato, não vai mais concorrer. Há expectativa, também, em relação a uma ampla renovação de vereadores, já que o desempenho de boa parte deles é sofrível. Caso haja uma discussão madura, consequente, sobre uma reconfiguração do sistema de transportes, a Princesa do Sertão só tem a ganhar.