Segunda-feira a Feira de Santana completou 190 anos de
emancipação. Foi um dia atípico, com uma garoa fina, melancólica, caindo no
final da tarde. Nesta época do ano, o sol costuma brilhar, com crepúsculos
abrasadores e suas múltiplas tonalidades. Não foi só a garoa extemporânea que
marcou a efeméride, no entanto. Afinal, circulou amplamente a notícia sobre uma
rica caravana que partiu aqui da Princesa do Sertão para celebrar a data em
Brasília.
A programação incluiu um jantar opulento para os convivas
ontem e, hoje (19), uma sessão solene na Câmara dos Deputados. Depois, claro,
houve mais um almoço. Quem foi, retorna à cidade mais bem nutrido e com os
ouvidos prenhes de discursos patrióticos, comuns nessas ocasiões. Programação
digna de entusiasmar os feirenses mais arredios.
Daqui a dez anos, a Feira de Santana completa 200 anos. Data
solene, redonda, inspiradora de grandes celebrações, de discursos inflamados,
de candentes declarações de amor. Como estará a maltratada Princesa do Sertão
daqui a uma década? A resposta depende do que se pretende fazer dela a partir
de agora. Por enquanto, nada justifica grande entusiasmo.
Vá lá que, depois de um interminável marasmo, há intervenções
estruturantes, como a duplicação de trechos do Anel de Contorno e melhorias na
BR 116 Norte. Tudo indica que o caótico trânsito naquelas imediações vai se
tornar mais fluido, menos penoso para quem circula por ali. Mas ainda é pouco
para a longa espera e – mais ainda – para aquilo que a cidade já deveria ser.
Uma cidade, porém, não se faz só com “grandes obras”. É preciso investir em Educação, por exemplo. Grandes transformações tecnológicas já aconteceram e se anunciam para os próximos anos. Os impactos prometem ser avassaladores. Que papel a Feira de Santana vai desempenhar nesse cenário? A pergunta é boa e as respostas – e as ações delas decorrentes – precisam ser céleres para a Princesa do Sertão ter o que comemorar em 2033.