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Em protesto contra aumento dos combustíveis, caminhoneiros bloqueiam parte da BR-116 Norte, em FSA

11 de Março de 2022 | 12h 42
Em protesto contra aumento dos combustíveis, caminhoneiros bloqueiam parte da BR-116 Norte, em FSA
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
Os caminhoneiros que trafegavam pela região de Feira de Santana bloquearam, na manhã desta sexta-feira (11), parte da BR-116 Norte, na altura da passarela do bairro Cidade Nova. Eles protestam contra mais um reajuste de preço dos combustíveis, implementado pela Petrobras.

Hoje, o preço médio da gasolina para as distribuidoras passou de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro. O valor representa um aumento de 18,8%. Já o preço médico do diesel, combustível largamente utilizado no transporte rodoviário, subiu de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, o que representa uma alta de 24,9%.

De acordo com o Acorda Cidade, a categoria considera os aumentos abusivos. Adriano Santana, proprietário de uma transportadora, disse, em entrevista ao portal, que as constantes altas de preços têm dificultado a vida dos trabalhadores do setor. “Estamos, aqui, reivindicando sobre o preço do diesel, porque tivemos um aumento absurdo. Somos pais de família, precisamos trabalhar. O preço subindo cada vez mais e, dessa forma, não temos condições de rodar. O diesel estava custando cerca de R$ 5,60 e, hoje, já está custando quase R$ 8,00”, destacou, referindo-se aos preços praticados nas bombas.

Ele salientou, ainda, que caminhoneiros de outras cidades também pararam, em protesto. “Meus veículos rodam para toda a Bahia, o estado de Sergipe e Alagoas. Estamos pagando para trabalhar, tirando do bolso, porque o frete não paga o que estamos gastando em combustível. Por isso, estamos fazendo este movimento aqui, mas já temos informações que, em Vitória da Conquista, já parou. Poções também e estamos na luta”, frisou, esclarecendo que apenas veículos pequenos, ambulâncias e carros de transporte de produtos perecíveis estão passando pelo bloqueio.

O caminhoneiro Flávio Vitório, que mora em Feira de Santana, disse, ao Acorda Cidade, que a manifestação deveria ser realizada nos postos de combustíveis. Na opinião dele, parar rodovias prejudica somente quem não tem relação com o problema. “Eu não estou trabalhando esses dias, mas estou aqui, reivindicando junto com meus colegas, porque isso é em prol de toda a categoria. Infelizmente, é uma situação complicada que estamos passando com estes preços, mas entendo que a manifestação poderia ser feita nos postos, os motoristas ficando em casa e sem rodar, mas fechar a pista desta forma, eu não sou a favor”, observou.

Ele salientou que o caminhão que dirige consome muito e que não tem condições de trabalhar desta forma “Imagine fazer, apenas, 2 quilômetros com o litro da gasolina.. Tenho que investir cerca de R$ 7 mil para encher o tanque”, avaliou.

Já o caminhoneiro José Donizete Magalhães, de 43 anos, informou que saiu da cidade de Paulínia, no interior do estado de São Paulo, com destino a João Pessoa, no estado da Paraíba. Na estrada há cerca de três dias, ele disse que, em função da manifestação, não tem como continuar a viagem e que aguardaria o posicionamento dos líderes do movimento. “Tinha como previsão chegar a João Pessoa amanhã (12), para entregar um material de ressonância magnética. Agora, não sei como vou fazer. Estou aqui, parado, esperando o posicionamento deles, para continuar com a viagem. Nunca tinha visto pararem carga de material hospitalar e, agora, decidiram parar. Mas, realmente, o combustível está muito caro. É inaceitável tudo isso. É necessário que os governadores possam achar uma solução para isso”, ressaltou.

José Donizete também afirmou que precisa desembolsar mais de R$ 7 mil para encher o tanque do caminhão. “Hoje, não tenho como calcular um valor exato pelo preço que é pago, porque todo dia é um valor novo, nesses postos. Eu mesmo abasteci por quase R$ 7. O tanque tem capacidade de 1,2 mil litros, então, quando a gente vai para a ponta do lápis, é mais de R$ 7 mil”, calculou.

Ainda, conforme o Acorda Cidade, o caminhoneiro destacou que, sem previsão para concluir o trajeto, acabou tendo que improvisar uma cozinha na lateral do caminhão. “Aqui, como coisa simples: um feijão com arroz. Hoje, tem calabresa, amanhã pode ter só ovo. Um dia pode ter bife, até mesmo carne cozida. Aí, nesse caso, precisa comprar no mesmo dia, porque não tem como guardar a carne. E assim vou levando, nessa rotina, sem previsão de retorno para casa”, lamentou.

A manifestação é pacífica e não tem cunho político, de acordo com a categoria. Silvânia Ramos, proprietária de uma carreta, disse, em entrevista ao Acorda Cidade, que os trabalhadores do setor não estão mais aguentando. “Esta á uma mobilização pacífica. Não estamos mais suportando. Não só os caminhoneiros, mas falamos de toda a população. Isto é um abuso que não estamos mais aguentando e não podemos continuar desta forma”, destacou.

Ela lembrou que não apenas a gasolina e o diesel alcançaram limites extorsivos, mas também o gás de cozinha. “Chegamos a um momento extremo. Não dá mais para sobreviver. Quem carrega tudo nas costas são os caminhoneiros. Se eles pararem, tudo para, porque são eles que transportam a carne, a água, o alimento. E como fica? Nosso intuito, aqui, é ser pacífico, sem nenhuma intromissão política. Aproveitamos, também, e arrecadamos alguns valores com os próprios motoristas, para que possamos efetuar a compra de toldos, para que tenhamos, aqui, um ponto de apoio, com cadeiras, pois estes profissionais estão sem suas famílias e, nesse momento, nós que somos a família”, arrematou.



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