Hoje, o preço médio da gasolina para as distribuidoras passou
de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro. O valor representa um aumento de 18,8%. Já o
preço médico do diesel, combustível largamente utilizado no transporte rodoviário,
subiu de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, o que representa uma alta de 24,9%.
De acordo com o Acorda Cidade, a categoria considera os
aumentos abusivos. Adriano Santana, proprietário de uma transportadora, disse,
em entrevista ao portal, que as constantes altas de preços têm dificultado a
vida dos trabalhadores do setor. “Estamos, aqui, reivindicando sobre o preço do
diesel, porque tivemos um aumento absurdo. Somos pais de família, precisamos
trabalhar. O preço subindo cada vez mais e, dessa forma, não temos condições de
rodar. O diesel estava custando cerca de R$ 5,60 e, hoje, já está custando
quase R$ 8,00”, destacou, referindo-se aos preços praticados nas bombas.
Ele salientou, ainda, que caminhoneiros de outras cidades
também pararam, em protesto. “Meus veículos rodam para toda a Bahia, o estado
de Sergipe e Alagoas. Estamos pagando para trabalhar, tirando do bolso, porque
o frete não paga o que estamos gastando em combustível. Por isso, estamos
fazendo este movimento aqui, mas já temos informações que, em Vitória da
Conquista, já parou. Poções também e estamos na luta”, frisou, esclarecendo que
apenas veículos pequenos, ambulâncias e carros de transporte de produtos
perecíveis estão passando pelo bloqueio.
O caminhoneiro Flávio Vitório, que mora em Feira de Santana, disse,
ao Acorda Cidade, que a manifestação deveria ser realizada nos postos de
combustíveis. Na opinião dele, parar rodovias prejudica somente quem não tem
relação com o problema. “Eu não estou trabalhando esses dias, mas estou aqui, reivindicando
junto com meus colegas, porque isso é em prol de toda a categoria. Infelizmente,
é uma situação complicada que estamos passando com estes preços, mas entendo que
a manifestação poderia ser feita nos postos, os motoristas ficando em casa e
sem rodar, mas fechar a pista desta forma, eu não sou a favor”, observou.
Ele salientou que o caminhão que dirige consome muito e que não
tem condições de trabalhar desta forma “Imagine fazer, apenas, 2 quilômetros
com o litro da gasolina.. Tenho que investir cerca de R$ 7 mil para encher o
tanque”, avaliou.
Já o caminhoneiro José Donizete Magalhães, de 43 anos, informou
que saiu da cidade de Paulínia, no interior do estado de São Paulo, com destino
a João Pessoa, no estado da Paraíba. Na estrada há cerca de três dias, ele
disse que, em função da manifestação, não tem como continuar a viagem e que aguardaria
o posicionamento dos líderes do movimento. “Tinha como previsão chegar a João
Pessoa amanhã (12), para entregar um material de ressonância magnética. Agora,
não sei como vou fazer. Estou aqui, parado, esperando o posicionamento deles,
para continuar com a viagem. Nunca tinha visto pararem carga de material
hospitalar e, agora, decidiram parar. Mas, realmente, o combustível está muito
caro. É inaceitável tudo isso. É necessário que os governadores possam achar
uma solução para isso”, ressaltou.
José Donizete também afirmou que precisa desembolsar mais de R$
7 mil para encher o tanque do caminhão. “Hoje, não tenho como calcular um valor
exato pelo preço que é pago, porque todo dia é um valor novo, nesses postos. Eu
mesmo abasteci por quase R$ 7. O tanque tem capacidade de 1,2 mil litros,
então, quando a gente vai para a ponta do lápis, é mais de R$ 7 mil”, calculou.
Ainda, conforme o Acorda Cidade, o caminhoneiro destacou que,
sem previsão para concluir o trajeto, acabou tendo que improvisar uma cozinha
na lateral do caminhão. “Aqui, como coisa simples: um feijão com arroz. Hoje,
tem calabresa, amanhã pode ter só ovo. Um dia pode ter bife, até mesmo carne
cozida. Aí, nesse caso, precisa comprar no mesmo dia, porque não tem como
guardar a carne. E assim vou levando, nessa rotina, sem previsão de retorno
para casa”, lamentou.
A manifestação é pacífica e não tem cunho político, de acordo
com a categoria. Silvânia Ramos, proprietária de uma carreta, disse, em
entrevista ao Acorda Cidade, que os trabalhadores do setor não estão mais
aguentando. “Esta á uma mobilização pacífica. Não estamos mais suportando. Não
só os caminhoneiros, mas falamos de toda a população. Isto é um abuso que não
estamos mais aguentando e não podemos continuar desta forma”, destacou.
Ela lembrou que não apenas a gasolina e o diesel alcançaram
limites extorsivos, mas também o gás de cozinha. “Chegamos a um momento
extremo. Não dá mais para sobreviver. Quem carrega tudo nas costas são os
caminhoneiros. Se eles pararem, tudo para, porque são eles que transportam a
carne, a água, o alimento. E como fica? Nosso intuito, aqui, é ser pacífico,
sem nenhuma intromissão política. Aproveitamos, também, e arrecadamos alguns
valores com os próprios motoristas, para que possamos efetuar a compra de
toldos, para que tenhamos, aqui, um ponto de apoio, com cadeiras, pois estes
profissionais estão sem suas famílias e, nesse momento, nós que somos a família”,
arrematou.