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Valdomiro Silva

Jerônimo se aborrece, mas sem motivo justo, com críticas de Ronaldo à regulação

VALDOMIRO SILVA - 07 de Julho de 2026 | 21h 17
Jerônimo se aborrece, mas sem motivo justo, com críticas de Ronaldo à regulação

Zé Ronaldo e Jerônimo Rodrigues vivem a primeira crise pública, em seu relacionamento, em virtude da campanha eleitoral, ainda não deflagrada oficialmente. Em evento político para promover a pré-candidatura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, o prefeito de Feira de Santana criticou o sistema de regulação hospitalar, de responsabilidade da Secretaria de Saúde do Estado. O governador não gostou do tom e respondeu por meio da imprensa.

O chefe do Executivo Municipal chamou a regulação de "fila da morte", ao criticar a longa espera a que são submetidos pacientes que aguardam, nas Unidades de Pronto Atendimento, policlínicas e em pequenos hospitais do interior, por leito em assistência de alta complexidade. De fato, há registros de óbitos, por falta imediata de vaga.

A resposta do governador: “conversei com ele um ano e meio. Nunca me tratou dessa forma. Não dá pra ter duas motivações de relacionamento. Eu aprendi isso em casa. Quando o negócio não dá, vamos fazer com a delicadeza que o tempo exige. Mas a gente não pode ficar uma hora sentado na mesa e depois cuspir no prato. Dessa forma eu não concordo, eu não aprendi e não vou fazer política dessa forma”.

Na entrevista concedida antes do PGP (Programa de Governo Participativo) em Ribeira do Pombal, no domingo, o governador aproveitou para criticar o prefeito pela ausência de um hospital municipal: "A gente, pra fazer crítica ao opositor, precisa fazer o dever de casa. Como é que uma pessoa, um grupo que nunca fez um hospital, abre a boca agora para dizer isso?”.

Jerônimo mostrou estar decepcionado com as críticas feitas pelo prefeito. Disse que se relacionou com ele "durante esse um ano e meio buscando atender as demandas de Feira de Santana". E que falou diversas vezes que, "se  pudesse caminhar comigo, seria uma alegria, mas isso não impediu de forma nenhuma uma relação diplomática, educada e amadurecida, sempre de respeito a ele e à história dele”.

Vamos agora à análise deste debate. Em política, a relação institucional não é vinculada à campanha eleitoral. Ao atacar a regulação hospitalar, um problema reconhecido em todo o Estado, Ronaldo não falta com o respeito ao governador. Do mesmo modo, Jerônimo não ofende o prefeito quando critica a assistência básica local da saúde e a falta do hospital municipal. As duas ações fazem parte do processo político e não maculam, absolutamente, o bom diálogo de ambos, no passado próximo, sobre temas de interesse comum.

Campanha é campanha. Ronaldo e Jerônimo encontram-se em campos opostos e, evidentemente, vai haver críticas na esfera administrativa, lado a lado. O que Ronaldo não deve fazer, e por enquanto não aconteceu, é negar que Jerônimo apoiou iniciativas da gestão municipal, nesse período, ou que dificultou o seu contato com o Estado. Nesse caso, estaria cometendo ingratidão.

A comparação feita pelo governador, ao afirmar que o prefeito "cuspiu no prato que comeu", não está adequada ao cenário. Não cabe em uma alusão ao relacionamento institucional que protagonizaram durante o ano e meio a que ele se referiu.



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