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César Oliveira

Contraponto a Valdomiro Silva e Glauco Wanderley sobre a polêmica compensação ambiental no SIM

César Oliveira - 30 de Junho de 2026 | 22h 40
Contraponto a Valdomiro Silva e Glauco Wanderley sobre a polêmica compensação ambiental no SIM

Dois dos maiores jornalistas que conheço, Valdomiro Silva, fundador da Tribuna Feirense, e Glauco Wanderley, também ex-editor do jornal na sua versão impressa — ambos autores de rara competência —, produziram recentemente dois textos para este Portal discutindo a compensação ambiental em uma área onde se pretende construir um condomínio no bairro SIM. Glauco alega que o espaço poderia abrigar ao menos 8.000 árvores. Valdomiro, por sua vez, argumenta, respaldado por um parecer técnico, que apenas 70 árvores deveriam ser compensadas, uma vez que ali só existiam 14 espécimes, aplicando-se a exata proporção compensatória de 5:1.

Ainda que não saibamos como uma área tão vasta tenha chegado a tão poucas árvores, ou precisamente quando elas foram abatidas, quero abordar esse tema sob uma outra perspectiva, que poderia ser adotada pelo poder público.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não determina um número exato de árvores por habitante, mas recomenda que as cidades possuam uma proporção mínima de 12 m² de área verde por cidadão. Para atingir esse índice, estima-se que sejam necessárias ao menos três árvores por morador. Para um paisagismo e um planejamento urbano verdadeiramente saudáveis, os especialistas também utilizam a moderna diretriz 3-30-300:

* 3 árvores: Cada pessoa deve conseguir enxergar, no mínimo, três árvores da janela de sua casa ou do ambiente de trabalho.

* 30% de verde: Cada bairro deve ter pelo menos 30% de sua área coberta por copas de árvores.

* 300 metros: Todo cidadão deve residir a uma distância máxima de 300 metros de um parque ou espaço verde público.

Portanto, não creio que o padrão ideal deva ser a mera compensação pelas árvores encontradas no momento da vistoria — um modelo que, na prática, favorece a limpeza ambiental prévia —, nem a exigência de uma cobertura florestal total que inviabilize o desenvolvimento urbano. O que precisamos, fundamentalmente, é adequar a cobertura vegetal ao padrão habitacional e à densidade demográfica que o bairro passará a ter com o aporte de novos moradores. Essa é a questão central e o verdadeiro parâmetro a ser considerado.

Ao agir assim, o governo municipal demonstraria uma atenção real e estratégica ao meio ambiente. Evidenciaria a compreensão de que o paisagismo urbano não é mero adorno, mas ferramenta crucial na redução das ilhas de calor — reduzindo a temperatura urbana em até alguns graus —, na melhoria drástica da qualidade do ar e na drenagem pluvial. Mais do que isso, alinhar-se-ia ao que a neurociência e a psicologia ambiental têm exaustivamente demonstrado: o contato visual e a proximidade com a natureza reduzem os níveis de cortisol, diminuem a incidência de distúrbios de ansiedade e depressão, e restauram a fadiga cognitiva dos cidadãos.

Caso o planejamento municipal continue alheio a essas premissas, Feira de Santana permanecerá lamentavelmente distante das recomendações urbanísticas modernas, sacrificando o bem-estar coletivo no altar de uma norma limitada  e conveniente.



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