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  • Feira de Santana, quarta, 11 de fevereiro de 2026

Justiça

Dias Toffoli cita ‘fartos indícios’ de novos crimes relacionados ao dono do Banco Master

14 de Janeiro de 2026 | 18h 23
Dias Toffoli cita ‘fartos indícios’ de novos crimes relacionados ao dono do Banco Master
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a existência de “fartos indícios” de novos crimes cometidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e por outros investigados no âmbito da Operação Compliance Zero, cuja segunda fase foi deflagrada nesta quarta-feira (14), pela Polícia Federal (PF).

O magistrado fez tal observação ao autorizar o cumprimento dos novos mandados judiciais contra acusados de envolvimento no caso. Na decisão, Toffoli reclamou da demora para o cumprimento de ordens de prisão e de busca e apreensão. Isto porque a PF deflagrou a ação um dia após o prazo determinado por ele.

Segundo o ministro, a autoridade policial deveria ter cumprido as medidas, que incluem a prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens, até 13 de janeiro. Toffoli considerou isto uma falha, “diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.

Relator do caso Master no STF, o magistrado afirmou ter lhe causado “espécie” a demora no cumprimento das diligências, “posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”. Além disso, acusou a PF de “falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”.

Zettel, que é cunhado de Vorcaro, foi preso esta madrugada, no Aeroporto de Guarulhos, no estado de São Paulo, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. As demais diligências foram cumpridas a partir das 6h.

Além da prisão de Zettel, foram alvo de mandados de busca o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos ligados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. 

O inquérito aponta que eles são suspeitos de desvios de recursos do sistema financeiro para abastecer o patrimônio pessoal. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão. Diversos carros e outros itens de luxo foram apreendidos, bem como mais de R$ 90 mil em espécie.

Toffoli determinou que todos os bens, documentos e eletrônicos apreendidos sejam levados para a sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, onde devem ser mantidos.

Por meio de nota, o gabinete do ministro informou "que o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes".

O QUE DIZ A DEFESA – Os advogados de Daniel Vorcaro também emitiram uma nota, informando que o banqueiro tem colaborado com as autoridades: "Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência", asseguraram.

No documento, a defesa também ressaltou que "Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito".

Entenda – Em novembro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. De acordo com a PF, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões. O Banco Central (BC), no entanto, rejeitou a negociação. Em novembro, Vorcaro decretou a liquidação do Master.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



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