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César Oliveira

Obesidade infantil: uma emergência de Saúde e Educação

César Oliveira - 01 de Dezembro de 2025 | 08h 30
Obesidade infantil: uma emergência de Saúde e Educação
Foto: Reprodução

A obesidade infantil é, hoje, um dos mais graves problemas de saúde pública, com impactos que ultrapassam o aspecto físico. Atualmente, afeta cerca de 30% das crianças e alimenta a epidemia de obesidade adulta.

As consequências são amplamente conhecidas: epidemia de doenças cardiovasculares, diabetes e doença renal crônica. Esses desfechos impõem alto custo ao sistema de Saúde e à Previdência Social, além de figurarem entre as principais causas de morte e perda de qualidade de vida.

Pesquisas conduzidas pela médica endocrinologista e professora Ana Mayra Andrade de Oliveira, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em escolas públicas e particulares desta cidade, revelam a dimensão do problema. Em 2001, o excesso de peso atingia 13,7% das crianças. Em 2019, o índice saltou para 28,6%, um avanço alarmante.

Impacto Ignorado na Educação e CogniçãoEm um seminário promovido pela Academia de Educação de Feira de Santana (Aefs), presidida pelo professor José Raimundo de Oliveira, a influência da obesidade infantil no aprendizado foi tratada como um alerta urgente. Trata-se de um fator crítico, que afeta o desempenho cognitivo e escolar. No entanto, ainda recebe pouca atenção. A endocrinologista Ana Luísa Andrade (Unicamp) mostrou que os hábitos certos podem reduzir de forma importante esses riscos. 

Estudos mostram que o excesso de peso pode prejudicar funções cerebrais ligadas ao desempenho executivo e à memória de trabalho, habilidades essenciais para o aprendizado.

A função executiva envolve planejamento, controle inibitório, atenção seletiva e tomada de decisões. Quando prejudicada, a criança enfrenta dificuldades para organizar tarefas, manter a concentração, controlar impulsos e resolver problemas. Já a memória de trabalho, crucial para seguir instruções, realizar operações matemáticas e construir argumentos, sofre impacto direto.

A situação se agrava com distúrbios do sono; queda na prática de atividade física; aumento do absenteísmo (falta de pontualidade e assiduidade no cumprimento de um dever ou obrigação); e efeitos psicossociais, como baixa autoestima e estigmatização, que corroem, ainda mais, o desempenho escolar.

Chamado Urgente à Ação IntegradaO cenário exige resposta imediata. Não é mais admissível que secretarias de Educação e de Saúde, Conselhos Municipais e Câmara de Vereadores permaneçam inertes. A obesidade infantil requer políticas públicas articuladas e contínuas.

Entre as medidas essenciais, estão: ampliar o acesso à alimentação saudável nas escolas; regulamentar a publicidade de alimentos ultraprocessados voltada ao público infantil; promover atividades físicas regulares e acessíveis; fortalecer ações de educação nutricional; apoiar famílias em situação de vulnerabilidade; e criar ambientes urbanos seguros para o lazer e a prática esportiva.

Enfrentar a obesidade infantil não é apenas promover saúde física. É garantir desenvolvimento cognitivo, melhora do aprendizado e um futuro social mais justo. As crianças precisam de condições para crescer com o corpo e a mente saudáveis. E cabe ao poder público transformar essa necessidade em políticas reais e efetivas.



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