Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • (75) 9707-1234
  • Feira de Santana, ter�a, 14 de abril de 2026

Segurança

Governador da Bahia diz que Estado não pode ser matador, e sim mediador

04 de Novembro de 2025 | 17h 01
Governador da Bahia diz que Estado não pode ser matador, e sim mediador
Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Ao anunciar novos investimentos estaduais na área de Segurança Pública, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, disse, nesta terça-feira (4), que o Estado tem que combater o crime e garantir a segurança da população, porém sem cometer abusos ou violar direitos.

O gestor defendeu que o Estado não pode atuar como matador. “Não pode. Não é o Estado que tem que fazer isto. O Estado tem que mediar”, afirmou, referindo-se à operação de Segurança Pública deflagrada no Rio de Janeiro, no último dia 28, nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense.

Na ocasião, a incursão policial contra o Comando Vermelho (CV), uma das facções criminosas com maior atuação no estado, resultou em 121 mortos, dentre eles quatro policiais e 117 civis, tornando-se a mais letal operação policial já registrada no Brasil.

Apesar disso, as Forças de Segurança do Rio de Janeiro não conseguiram prender o principal alvo, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como uma das lideranças da organização criminosa no Rio.

Jerônimo Rodrigues destacou, ainda, que, na Bahia, a Operação Freedom, deflagrada nesta terça-feira (4), prendeu ao menos 35 pessoas suspeitas de integrarem o Comando Vermelho.

Realizada pela Polícia Civil da Bahia (PCBA), em conjunto com a Polícia Militar da Bahia (PMBA), Polícia Civil do Ceará (PCCE) e Polícia Federal (PF), a operação resultou na morte de apenas um homem, que não teve a identidade divulgada.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA), o homem morto não constava entre os alvos dos mais de 90 mandados judiciais que estão sendo cumpridos, mas tinha antecedentes criminais; era conhecido dos policiais por, supostamente, organizar os ataques a grupos rivais do CV, e reagiu a tiros quando os agentes tentaram deter parte dos investigados localizados no bairro Uruguai, na região da Cidade Baixa, em Salvador.

A morte do homem motivou protestos. Manifestantes montaram, ao menos, três barricadas, com pneus, madeira e outros materiais, nas proximidades do Viaduto dos Motoristas e da Rua Luiz Régis Pacheco, interrompendo o tráfego de veículos.

Policiais militares e bombeiros conseguiram liberar as vias, mas o patrulhamento teve que ser reforçado, na região. “A mão forte do Estado precisa acontecer. Não vamos dar trégua ao crime organizado, na Bahia. Mas minha ordem é que possamos cercar, prender e entregar à Justiça”, garantiu o governador.

Tesoureiros – Entre os 35 presos na ação de hoje, na Bahia, está um casal suspeito de liderar as ações do Comando Vermelho no estado. O homem, cuja identidade também não foi confirmada, é apontado como responsável por organizar o tráfico de drogas na capital do estado e na Região Metropolitana de Salvador (RMS), além de planejar os ataques a grupos rivais.

A companheira dele é apontada como responsável pela gestão das finanças da organização. Os dois foram presos na cidade de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no Ceará.

A SSP-BA informou que a Operação Freedom é resultado de uma apuração iniciada em 2022, que apontou que os principais investigados são suspeitos de participação em, pelo menos, 30 assassinatos ocorridos em Salvador e na expansão da atuação do CV para várias cidades da Bahia.

Para o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, a operação desta terça-feira atingiu o objetivo de desarticular o núcleo armado e financeiro do Comando Vermelho, sem que policiais ou inocentes fossem atingidos. “Esta operação tem um viés de asfixia financeira e de apreensão de recursos financeiros da organização”, disse a autoridade policial.

Ele explicou, ainda, que a Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 1 milhão, em 51 contas bancárias vinculadas aos investigados. “Futuramente, estes recursos poderão ser utilizados no enfrentamento à criminalidade”, frisou o delegado-geral.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, destacou a “eficácia do uso de inteligência policial para desarticular facções de alto poder ofensivo, sem recorrer ao confronto direto como primeira ou única via”.

Para o gestor, “este é um exemplo concreto da nova doutrina de Segurança Pública, que tem a preservação da vida como prioridade máxima”.

Segundo Felipe Freitas, os resultados alcançados contribuirão para a elucidação de, ao menos, 30 homicídios em Salvador e reforçam a tese do governo de que é possível ser implacável contra o crime e, ao mesmo tempo, agir com responsabilidade e total aderência à lei”.

 



 

 

 

*Com informações da Agência Brasil.



Segurança LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

Charge do Borega

As mais lidas hoje