Um evento como a taxação de 50% imposta por Trump- um
populista inescrupuloso com instinto totalitarista- ao Brasil não acontece por
uma única razão e sim por combinação de fatores. Atribuir essa ação
exclusivamente à defesa de Bolsonaro é superestimar o poder do
ex-presidente, que não chega a essa dimensão nem entre os bolsonaristas mais
ferrenhos, mas foi uma ótima cortina de fumaça. Trump não faz isso por ninguém.
O que aconteceu é que Lula vem de forma reiterada exercendo
um antiamericanismo juvenil. Ele chamou Trump de nazista, apoiou o Hamas, condenou
Israel, defendeu o Irã condenando os EUA pelos ataques, recebeu navios de
guerra do Irã no Rio de Janeiro. Além disso, é francamente a favor de Putin,
condenado como criminoso de guerra – inclusive equiparando a Ucrânia ao
invasor- sendo o único líder ocidental
presente as comemorações da Segunda Guerra em Moscou, onde fez figuração ao
lado de vários ditadores.
Ao lado disso, defende Cristina Kirchner, na Argentina,
ofendendo a Justiça Argentina; apoia Maduro na Venezuela, e mandou avião da FAB
buscar a ex-primeira dama do Peru
condenada por corrupção. Ou seja, Lula deixa explícito suas escolhas e seu
perfil, sempre contrariando os interesses americanos.
Evidente que as decisões
do STF- fora de controle e eivado de arbitrariedades- com punições de empresas americanas, assim como
ataques a Musk, inclusive por Janja, fizeram composição do caldo da reação. O discurso
Bolsonarista com sua extrema direita
capacha de Tio Sam, serviram para
calibrar o exagero das tarifas.
O ponto crítico, no entanto, que irritou Trump foi o discurso de Lula no
BRICS propondo a criação de uma moeda alternativa ao dólar. Ou seja: uma facada
direta no poder americano. O ministro das Relações Exteriores da Rússia já afirmou publicamente que a ideia da moeda foi
de Lula.
Bolsonaro serviu como bode expiatório conveniente para Trump
reagir ao que acha um desafio ao seu poder pelo presidente brasileiro que vive
de fazer o jogo de boneco de ventríloquo de Rússia e China.
Enfim, as ações do STF de censura, violações do devido
processo legal, ataques a empresas americanas, associado às posições políticas
de Lula, causaram o furor de Trump. O bolsonarismo lhe deu o cavalo para montar
e não dizer que ataca uma Suprema Corte ou um presidente legalmente eleito.