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César Oliveira

O Dia do Médico e os desafios da profissão

18 de Outubro de 2021 | 09h 24
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O Dia  do Médico e os desafios da profissão

Os avanços da medicina constituem uma das mais brilhantes histórias de progresso de nossa civilização. Partindo da observação, crendice, feiticismo, fé, mitologia, chegamos a uma era de conhecimento genético, celular, molecular, extremamente profundos, que permitiram revoluções no tratamento de doenças e a ampliação da expectativa de vida. Decifrar o genoma, criar órgãos artificiais, produzir vacinas que erradicaram doenças de letais, tornar os transplantes uma alternativa segura, substituir o rim por uma máquina de diálise, dar a luz a um bebê de proveta, fazer cirurgias robóticas, ou permitir a sobrevivência de um recém nascido com 212 gramas- o peso de uma maçã- são exemplos dos milagres do cotidiano já produzidos.  

Desde que Hipócrates mudou a história da arte médica, dando-lhe caráter científico e um juramento ético, fizemos uma viagem incomparável pelo conhecimento em busca da melhor evidência para o ato médico.  Não podemos negar, no entanto, as transgressões, violações motivadas pelo poder, dinheiro, fraqueza moral.  Estas falhas não são da medicina, per si, mas da miríade diversa que é o humano. Longe, no entanto, de ser a maioria. Ao contrário, é uma minoria que merece a lei e o repúdio dos que tem dignidade profissional. 

Vivemos uma era de desafios. A ampliação desenfreada de escolas, cursos em regime de feira livre em países vizinhos, ausência de avaliação continuada que separe o joio do trigo, trará consequências e riscos.  Temos outros desafios como estabelecer limites éticos a uma série de procedimentos surgidos com o desenvolvimento da tecnologia e da biologia, e como fazer para que  os avanços que salvam vidas não fiquem restritos a uma parcela da população com maior poder econômico, tornando ainda mais evidente e cruel  nossas diferenças sociais.

A recente e devastadora pandemia tornou claro o papel transcendental do médico em um mundo que perde fronteiras e que irá viver uma era de epidemias. A vitória, apesar de tantas vidas perdidas, foi um ato magnífico da ciência, de coragem, de resposta a um chamado de algo não palpável, mas real, que é o compromisso moral, ético, humano, do médico, com a profissão e a vida alheia. Foi monumental e um dos momentos mais dignos de nosso ofício.

Ao tempo que reverencio os que lutaram- inclusive os que perderam a vida- reforço nossa necessidade de qualificarmos o ensino técnico, de metodologia, e a exigência de profissionalismo, que permeia nossa atividade.  Os médicos precisam ser maximamente eficientes e minimamente invasivos à integridade física, econômica, e afetiva do paciente.  Só assim poderemos honrar a imensa obra já construída e continuar carregando nos ombros o universo gigante da medicina e da vida humana.

 

 



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