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Saúde

Projeto da Uerj pretende medir carga de coronavírus no ar, em tempo real

19 de Setembro de 2021 | 13h 53
Projeto da Uerj pretende medir carga de coronavírus no ar, em tempo real
Foto: Reuters

Dez cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) estão trabalhando em um projeto que visa o desenvolvimento de um equipamento de baixo custo capaz de medir, em tempo real, a carga de novo coronavírus presente no ar, em diferentes ambientes.

De acordo com a Agência Brasil, participam da pesquisa professores e alunos de pós-doutorado, mestrado e graduação. De acordo com o coordenador da equipe, professor Heitor Evangelista, o monitoramento de micro-organismos e partículas presentes no ar vem sendo realizando, há muito e com sucesso, para diferentes finalidades. "Ninguém começou a fazer isso agora. Mas a maioria dos equipamentos disponíveis no mercado não é apropriada para vírus. São mais apropriados, por exemplo, para bactérias, fungos e pólen", observa.

No caso do novo coronavírus, a situação é diferente. O cientista explica que se trata de um vírus de RNA, muito suscetível, portanto, às condições ambientais. "Para coletar, ambientalmente, e levá-lo em boas condições de análise até o laboratório, é preciso um equipamento que possa eliminar as interferências ambientais. Ele deve ser armazenado em baixa temperatura, na ausência de luz. São várias condições, essenciais para manter o vírus viável e, assim, evitar falsos negativos", esclarece.

Em um ano e meio de trabalho, diz a Agência Brasil, a equipe já conseguiu desenvolver dois equipamentos: o CoronaTrack e o CoronaTrap. Mas, pelo menos por enquanto, as análises ainda não ocorrem em tempo real. Isto porque, uma vez capturadas, as amostras de aerossóis presentes precisam ser encaminhadas até um laboratório. E, segundo o chefe da pesquisa, os resultados só ficam prontos em 24 horas. "Temos observado, na prática, aquilo de que, teoricamente, se fala há muito tempo. Os ambientes internos oferecem maior risco que os ambientes externos", destaca Evangelista.

Ele salienta, ainda, que o CoronaTrack foi testado em lugares variados, como praias, feiras públicas, restaurantes e na estação Central do Brasil. Já o CoronaTrap, desenvolvido mais recentemente, ainda será usado. A ideia é testá-lo, nas próximas semanas, nas escolas públicas que retomaram as aulas.

A vantagem do segundo equipamento desenvolvido, conforme o pesquisador, é não precisar mais ser movimentado pelo ambiente, além de ter capacidade para monitorar uma área com maior abrangência. Funciona assim: o coronavírus é capturado e armazenado em uma câmara escura climatizada, que o mantém sem contato direto com a luz e evita sua deterioração em função da temperatura, da radiação solar ou da umidade do ar.

De acordo com a Agência Brasil, a equipe já solicitou depósito de patente para o CoronaTrack e planeja, em breve, fazer o mesmo para o CoronaTrap. A pesquisa vem sendo conduzida no Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg) da Uerj e é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), vinculada ao governo fluminense, que atua no fomento à ciência, à tecnologia e à inovação.

O projeto também já contou com o apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).



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