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  • Feira de Santana, sexta, 17 de setembro de 2021

César Oliveira

O Covaxin-gate, o custo Centrão e o efeito no governo Bolsonaro

27 de Junho de 2021 | 16h 13
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O Covaxin-gate, o custo Centrão e o efeito no governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro chega ao seu momento mais difícil, exatamente porque a parceria com o Centrão começa a cobrar o seu preço, com as suspeitas de corrupção na compra da vacina Covaxin, isso após o ex-Ministro Ricardo Salles ser afastado, ter o passaporte retido pelo STF, e estar ameaçado de prisão.

Agora, Bolsonaro é suspeito de prevaricação, porque o funcionário Ricardo Miranda  e seu irmão, deputado Luís Miranda,  foram à residência oficial do presidente e  relataram a pressão no Ministério da Saúde em favor da Covaxin, uma agilidade não vista em outras vacinas.

Os irmãos  entregaram a ele uma nota fiscal com discordâncias  graves em relação ao contrato. A empresa que receberia o dinheiro era  uma offshore com sede em paraíso fiscal e patrimônio de US$ 1 mil. O valor era de US$ 45 milhões e o pagamento seria, inacreditavelmente, antecipado. As vacinas tinham prazo de validade prestes a vencer e havia discordância entre as doses, no contrato e na nota fiscal.

Embora a vacina sequer tivesse estudo de fase 3 e  não fosse reconhecida pelas agências do Brasil e da Índia, custaria mais cara do que a da Pfizer. Além disso,  a representante no Brasil, a Precisa, é  suspeita de superfaturamento e de má qualidade de testes Covid e  sócia da Global, processada por receber pagamento e  não  entregar os medicamentos para o Ministério da Saúde. É uma combinação de terror.

Os irmãos Miranda levaram a informação a Bolsonaro, que prometeu botar a Polícia Federal (PF) na pista, mas nada fez e, agora, diz que a culpa foi do general goleiro Pazuello, trágico ex-ministro da Saúde. 

Segundo o deputado Miranda - de tétrica folha corrida -, Bolsonaro citou o líder Ricardo Barros como culpado, sendo que ele é apontado como autor da nomeação da funcionária responsável pela gestão do contrato no MS e de liderar mudanças na legislação - inclusive, ameaçando a Anvisa - que favorecesse a importação.

O negócio tem aparência de corrupção, jeito de corrupção, forma de corrupção, mesmo que interrompida antes da conclusão do pagamento. A CPI não poderá deixar de aprofundar a investigação, até esclarecer o papel de cada um.

Enquanto isso, Bolsonaro continua seus ataques à imprensa, retirando máscara de criança, construindo uma base militante entre policiais militares, com um pacote de benesses e com pensamento fixo na reeleição - mais uma promessa que deixa de cumprir -, mas sem conseguir retomar o controle do seu governo, infiltrado  pelo Centrão.



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