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  • Feira de Santana, segunda, 14 de junho de 2021

Segurança

Médico citado por suspeito de matar Andrade Lopes presta depoimento na delegacia

10 de Junho de 2021 | 13h 22

No depoimento em que confessou ser o autor do assassinato de Andrade, Geraldo Junior disse que o diretor médico Alan Floriano apareceu em um sonho premonitório, junto com outra pessoa, tramando contra ele e que isso o levou a matar o colega

Médico citado por suspeito de matar Andrade Lopes presta depoimento na delegacia
Foto: Aldo Matos/Acorda Cidade

O médico Alan da Silva Floriano, de 37 anos, compareceu, na tarde desta quarta-feira (9), ao Complexo de Delegacias do bairro Sobradinho, em Feira de Santana, a fim de prestar depoimento no caso da morte do amigo, o psiquiatra Andrade Santana Lopes, assassinado brutalmente, conforme a polícia, pelo também colega de profissão Geraldo Freitas Carvalho Júnior, no dia 24 de maio.

De acordo com o Acorda Cidade, Alan Floriano, que atua como diretor de um hospital da capital baiana, onde reside, foi citado pelo suspeito durante o depoimento em que o mesmo confessou a autoria do crime, motivada, segundo ele, por um sonho premonitório, no qual, supostamente, o gestor de saúde aparece. Após o relato do acusado, o delegado Roberto Leal, responsável pelo caso, decidiu convocar o médico. Ele, então, se disponibilizou a esclarecer os fatos.

Em entrevista ao portal de notícias, Alan Floriano contou que era amigo próximo de Andrade e que se afastou de Geraldo por ele não ser uma pessoa idônea e possuir temperamento conflituoso. "A terceira pessoa que ele cita, no tal depoimento, sou eu. Fui chamado a depor, para entender o que estava acontecendo. Durante o depoimento, fiquei sabendo o que realmente aconteceu; que foi através de um sonho e que ele viu alguma postagem ou comentário sobre alguma foto dele com Andrade e, a partir daí, imaginou que eu estivesse armando algo para matá-lo", declarou.

O diretor médico disse que estudou com Andrade e que ambos chegaram a morar na mesma casa. "Andrade era meu amigo e irmão. Eu o conheci em São Paulo, estudando com ele. Viemos para Feira de Santana, moramos juntos em uma casa e, quando fui para Salvador, dividimos aluguel. Ele era uma pessoa muito próxima. Em relação a Geraldo Junior, eu o conhecia também, mas deixei de ser amigo dele porque aprontou comigo e, infelizmente, a amizade acabou", revelou.

DESAVENÇA - Floriano detalhou que se distanciou do suspeito após ele não honrar compromissos financeiros feitos em seu nome. "Ele me citou porque tivemos uma desavença. Geraldo Junior sempre enrolado, metido com coisa errada, conseguiu sujar o nome dele no Serasa. Aí, ele me pediu um favor, que era emprestar meu nome para financiar um carro, uma caminhonete Ranger. E eu dei, com a promessa de que, em seis meses, ele passaria o carro para o nome dele. Era o tempo que ele tinha para se limpar com o Serasa, mas isso não aconteceu. O problema perdurou por dois anos, ele parou de pagar o carro e meu nome foi para o Serasa também. Aí começaram os problemas. Ele sempre com um tom de agressividade, sempre arrogante, prepotente, difícil de diálogo", relatou.

O médico enfatizou, ainda, que não mantinha contato com Geraldo há mais de um ano. Ressaltou, também, que a última vez que encontrou Andrade foi há seis meses, em salvador, e que ficou muito comovido com a notícia de sua morte. "Eu fiquei bem chocado, muito abalado. Fiquei sete dias e sete noites sem dormir e sem comer. Recebi a notícia de uma forma bem trágica", lamentou.

ILEGAL - Outra revelação feita por Alan Floriano tem a ver com a atuação médica do suposto assassino. Ele asseverou que Geraldo Junior estava praticando a medicina ilegalmente, no país. "Geraldo é tipo os médicos cubanos, que são formados no exterior, mas não passam pela prova, não fazem o processo de revalidação de diploma. Ele chegou a se formar em medicina, porém lá em Santa Cruz, na Bolívia. No Brasil, ele não conseguiu revalidar o diploma e passou a trabalhar com o CRM de um colega, porque os nomes são iguais, só muda o sobrenome. Ele passou a praticar o exercício ilegal da medicina, junto com falsidade ideológica", afirmou.

Também em entrevista ao Acorda Cidade, o advogado Joari Wagner, que acompanhou o diretor médico durante o depoimento na delegacia, informou que está atento às investigações e que poderá solicitar habilitação como assistente de acusação, no decorrer do processo. "Ainda está na fase do inquérito policial. A prisão temporária que foi decretada tem um prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada para mais 30, com possibilidade de ser convertida em prisão preventiva. Nessa fase, tudo fica a cargo do delegado responsável, que é o doutor Roberto Leal, e também do doutor André Ribeiro, da Furtos e Roubos. A partir daqui, outras oitivas serão feitas. Estamos aqui apenas acompanhando essas oitivas, o desenrolar desse inquérito, para, na fase de execução penal, verificar a habilitação como assistente de acusação. Aqui, o procedimento é acompanhar, verificar toda a regularidade dos atos policiais e dar o andamento", explicou o jurista.

O advogado salientou que seu cliente não teve qualquer tipo de conversa com Geraldo Junior. E garantiu que Alan Floriano nunca planejou matar o suspeito. "Ele alegou que não tem nada a ver. Informou que teve, sim, um problema com o médico Geraldo Júnior, há um ou dois anos, e que esse problema foi resolvido. Eles não se falavam, a partir daí. Ele falou, aqui, no seu depoimento, que alertou alguns amigos, informando quem era o Geraldo, mas nada além disso, nada referente a conversas com Andrade, marcando ou combinando alguma coisa contra Geraldo. Nada disso aconteceu e ficou provado, aqui, inclusive. Ele deixou aqui o aparelho celular para ser periciado também, para, justamente, comprovar que nada disso aconteceu", observou.



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